Sabe como?

rainbwlwg

(Gatley, UK, 17/03/19)

Precisando de inspiração para acordar bem para um novo dia?
Buscando energia para aguentar o final do inverno?
Cansada de escrever sobre o tempo na Inglaterra?
Saudades do sol, friends and relatives?
Preocupada com o que os leitores do blog vão pensar sobre a ausência de posts no último mês?
Confusa entre escrever sobre a novela mexicana do Brexit ou o drama latino do Brasil?

POIS SEUS PROBLEMAS ACABARAM!!
PERGUNTE-ME COMO!!

Sabe como? Com música e movimento.
Hoje cedo, 08h34, ouvindo a rádio Classic FM no carro, após o acorde final da Sinfonia nº40 de Mozart, começa uma peça e eu… “hum, conheço essa música… harmonia quente e acolhedora, melodia envolvente, ritmo contagiante… TICO-TICO no FUBÁ*!”… tocando na rádio em Manchester!

E num instante tenho inspiração, energia, sol, amigos, familiares e primavera. Meu corpo dançando enquanto dirijo cria um samba inusitado, enviesado como meu ângulo de motorista no trânsito inglês. E assim, meu problemas acabaram! (Pelo menos por ora!).

E a vida segue. Como a doce trajetória de um arco-íris que, por semi-círculo que é, nunca sabemos ao certo onde vai dar. Mas que vale every f!@# moment. Que tal?

*O choro-canção Tico-Tico no fubá (1931) do compositor paulista Zequinha de Abreu é uma das principais referências musicais brasileiras no mundo. Foi imortalizado na voz de Carmen Miranda.
(Muito divertido ouvir o locutor inglês da rádio falando… Tchiicoo-Tchiicoo noo fuu-báh!)

Do you know how?
Need inspiration to wake up well for a new day?
Seeking energy to endure the end of winter?
Tired of writing about the British weather?
Missing the sun, friends and relatives?
Worried about what blog readers will think about lack of posts in the last month?
Confused between writing about the Mexican novel Brexit or the Latin drama of Brazil?

SO, YOUR PROBLEMS ARE OVER!!
ASK ME HOW!!

Do you know how? With music and movement.
Today, 08h34, listening to Classic FM in my car, after the final chord of Mozart’s Symphony nº40, a new piece begins and I … “um, I know this song … warm and cozy harmony, engaging melody, contagious rhythm … TICO-TICO no FUBÁ*!”… playing on the radio in Manchester!

Suddenly I have inspiration, energy, sun, friends, family and springtime. My body dancing while driving creates an unusual samba, skewed as my driving angle in the English traffic. And so, my problems are over! (At least for now!).

And life goes on. Like the sweet trajectory of a rainbow that, for a semi-circle that is, we never know for sure where it will go. But that’s worth every f!@# moment. Que tal? What you think?

*The piece Tico-Tico in the fubá (1931) by a São Paulo composer Zequinha de Abreu is one of the main Brazilian music references in the world. It was immortalized in the voice of Carmen Miranda.
(Very funny to hear the radio announcer saying Tchiicoo-Tchiicoo noo fuu-báh!)

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Com a palavra, a autora!

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(lwg)

Como escrevi recentemente, entre uma conexão e outra no meu dia (de chá) de aeroporto voltando do Brasil, recebi um texto da Márcia pelo whatsapp. E conectadas que somos, acertou em cheio meu coração! 

Na hora encaminhei para alguns amigos… Mas, jornalista que sou, me senti desconfortável por não saber/citar a autoria. Já na Inglaterra, resolvi checar a fonte e aqui está: o texto se chama O que a memória ama, fica eterno da escritora mineira Fabíola Simões. E é muito bom. Acho bacana compartilhar (como escrevi a ela que faria!).

Quem não se alimenta de doces memórias?
Happy Valentines everyone!

O que a memória ama, fica eterno
Quando eu era pequena, não entendia o choro solto de minha mãe ao assistir a um filme, ouvir uma música ou ler um livro.
O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas coisas visíveis. Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender.
O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano.
É que a memória é contrária ao tempo. Nós temos pressa, mas é preciso aprender que a memória obedece ao próprio compasso e traz de volta o que realmente importou, eternizando momentos.
Crianças têm o tempo a seu favor e a memória muito recente. Para elas, um filme é só uma animação; uma música, só uma melodia. Ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.
Diante do tempo envelhecemos, nossos filhos crescem, muita gente se despede. Porém, para a memória ainda somos jovens, atletas, amantes insaciáveis. Nossos filhos são nossas crianças, os amigos estão perto, nossos pais ainda são nossos heróis.
A frase do título é de Adélia Prado: “O que a memória ama, fica eterno”. E o que eu acredito é que quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro da gente.
Quando nos damos conta, nossos baús secretos_ porque a memória é dada a segredos _ estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo.
Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você _ foi a trilha sonora de um amor, embalou os sonhos de uma época ou selou uma amizade verdadeira _ e mesmo que os anos tenham se passado, alguma parte de você se perde no tempo e lembra alguém, um momento ou uma história.
Ao reencontrar amigos da juventude nos esquecemos que somos adultos e voltamos a nos comportar como meninos cheios de inocência, amor e coragem.
Do mesmo modo, perto de nossos pais seremos sempre “as crianças”, não importa se já temos 30, 40 ou 50 anos. Para eles a lembrança da casa cheia, das brigas entre irmãos, das histórias contadas ao cair da noite… serão sempre recentes, pois têm vocação de eternidade.
Por isso é tão difícil despedir-se de um amor ou alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas.
Dizem que o tempo cura tudo, mas talvez ele só tire a dor do centro das atenções. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na ferida. Mas aquilo que amamos tem disposição para emergir das profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando.
Somos a soma de nossos afetos, e aquilo que nos tocou pode ser facilmente reativado por novos gatilhos _ uma canção cala nossos sentidos; um cheiro nos paralisa lembrando alguém; um sabor nos remete à infância.
Assim também permanecemos memórias vivas na vida de nossos filhos, cônjuges, ex amores, amigos, irmãos. E mesmo que o tempo nos leve daqui, seremos eternamente lembrados por aqueles que um dia nos amaram.

Uma botinha de andar na neve

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                                                  Galocha gelada pra mim e botinha quentinha pro piá – lwg

(A cada começo de inverno coloco na lista: comprar uma botinha de andar na neve)
Na última quarta-feira aqui em MCR nevou. E bastante. E sim, acho lindo. SE posso, aproveito para uma caminhada, uma contemplação, uma bebida quente. Mas, como explicava para a Lili pelo whatsapp, o aprendizado da hora é: uma coisa é ser turista curtindo neve na Europa. Outra bem diferente, é morar numa cidade da Europa onde, pela baixa frequência dos floquinhos, acaba não estando preparada para lidar com a coisa!

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(A cada começo de inverno coloco na lista: comprar uma botinha de andar na neve)
E o dia esse amanheceu branquinho, charmoso como foto de calendário. Mas só pela janela. Lá fora, a rua parada, a cidade parada. Carros camuflados de bonecos (ou montanhas de neve conforme a categoria!) e silêncio. No cars, no buses. Ao longe, risadas e gritinhos de crianças nos jardins das casas se divertindo… Penso, oba! Bora brincar na neve!

(A cada começo de inverno coloco na lista: comprar uma botinha de andar na neve)
Então, pisco o olho e me dou conta que… não sou turista, moro aqui! E tenho trabalho, rotina, etc, me chamando. E de repente, o charme das fotos de calendário derretem pelos meu olhos quentinhos da manhã. Telefone tocando… escola do meu filho avisando que estará fechada. Confiro a logística do dia no celular… Ligo para minha chefe para avisar que não poderei sair de casa, que meu filho está off, minha rua está off, acesso a M56 está off, estou off ilhada…

Final da história: ficamos off! E decidimos… caminhar na neve! Mesmo sem ter comprado a botinha que a cada começo de inverno coloco na lista. The point is… com essa minha tendência à flor da pele de esticar o verão pelos quatro cantos do planeta (parece coisa do império britânico tempos atrás… onde o sol nunca se põe!), acabo comprando mais sandálias e havaianas do que… botinhas de neve. E saio por ai com pés dormentes e picolezentos dentro da galocha gelada, mas fashion! Que tal?
Resumo da última quarta-feira em Manchester:
– 150 escolas fechadas (incluindo região metropolitana)
– aeroporto fechado por 8 horas
– 30 voos cancelados
– Metrolink (tram) com atrasos e cancelamentos temporários de linhas
– ônibus na minha região voltaram a circular somente ao meio-dia

Difícil comprar tempo

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A Nanda,  “tia” Laura e Noeli no Theatro S. Pedro

Não tenha medo
Meu menino bobo
(Memória)
Tudo principia
Na própria pessoa
(Beleza)
Vai como a criança
Que não teme o tempo
(Mistério)
(Redescobrir, Gonzaguinha)

A Nanda é uma menina engraçada e esperta de 7 anos de idade. A Nanda tem bochechas sorridentes e escancaradas, como sua curiosidade e alegria. A Nanda tem muito tempo livre. E cada vez que a visito em Porto Alegre, me faz várias perguntas sobre a Inglaterra, a vida por aqui, se já tem neve, qual o valor da Libra e como é a escola do meu filho. E eu, bem atenta, respondo como posso, cuidando para não nublar o sonho da menina e não romantizar minha realidade de imigrante.

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A Nanda foi assistir ao show do Expresso 25. Nunca havia ido ao Theatro São Pedro. Disse que assistiu o espetáculo “mais legal de toda a sua vida” e agora já me olha diferente. Sou a “tia” Laura artista! A Nanda é filha dos meus amigos de escola Noeli & Marcelo, que conheço há mais de 30 anos. Lãããn do tempo em que Ensino Fundamental se chamava primeiro grau! E tínhamos muito tempo livre.

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Nesses dias de férias pelo Brasil, os filhos (entre 3 e 12 anos de idade) dos meus amigos foram um capítulo à parte. E eles têm nuito tempo livre. Talvez por meu filho não ter vindo junto, acabei interagindo um pouco mais com eles e adorei participar um pouquinho de suas rotinas, brincadeiras e trocas. E assim, as conversas fluíram e amizades foram demarcadas! Espero que a Nanda, a Maíra, a Manu, o Henrique, o Benício, a Anita, o Otávio, o Matheus (já colega de profissão como sua mãe!) e até o Theo, o Gael e a Dora – que não consegui encontrar pessoalmente, lembrem da “tia” Laura na minha próxima visita. Seus pais – já temos uns aos outros em nossos corações.

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E me despedi do Brasil com o texto (publico na íntegra no próximo post!) que recebi da Márcia já no aeroporto do Rio, que me abriu um sorriso na cara e me transbordou lágrimas que mais uma vez achei que não escapariam, e que mais uma vez aqueceram meu rosto de carinho e afeto. Certeza de fazer valer minhas escolhas. Hora de voltar pra casa. Não tenho mais tempo livre.

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Como nos versos cantados de Redescobrir com o Expresso 25. Certeza de pertencimento, certeza do quê somos, de referência com o que nos alimenta e a perspectiva do quê queremos ser, seja onde for. E para isso, temos de estar entre os nossos… seja o quê for. Nossos amigos, familiares, amores, ex-amores, prazeres, medos, ausências, saudades. Saboreando cada libra esterlina paga e até cada café/encontro cancelado na última hora! Posso comprar a passagem, mas como me ensina o José Roberto, difícil mesmo é comprar… o tempo. O resto, parcelamos. Que tal?

Nas terras de Cabral

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                                                         Igreja da Santa Maria da Graça (fachada lateral) – lwg

O descobrimento do Brasil, assim como os grandes eventos históricos da humanidade, é cercado de lendas, mitos e, claro, meia-verdades. Mas o fato é, quem lá atracou oficialmente foi o navegador português Pedro Álvares Cabral – nascido em Vila Belmonte (1467) e sepultado em Santarém (1520). Cidade que calhou de eu visitar nesse final de ano. E de me encantar com o detalhe histórico.

A igreja de Santa Maria da Graça (1380) é uma das últimas construções góticas do Ribatejo, região central de Portugal. E seria apenas mais uma dentre as milhares por lá, não fosse pelo ilustre fato: na capela de São João Evangelista, jaz Pedro Álvares Cabral.

A igrejinha fica no centro histórico de Santarém, Largo… Pedro Álvares Cabral (óbvio!). Na praça em frente, uma imponente estátua personifica – ao menos para nós brasileiros, o mito e a figura do tal fidalgo. Na legenda DESCOBRIDOR DO B ASIL, abaixo da estátua de Cabral, falta a letra R. Um R de Resiliência, de Resistência, de Reinventar e Redescobrir. Marcas de um país fadado a faltas & lacunas, mas também fartura & abundância.

A inscrição de Pero Vaz de Caminha na pedra ao lado da estátua, cria uma imagem viva de cor e som da costa brasileira, tão deslumbrante e onírica como poderia ser em 22 de abril de 1500: “Neste dia, a horas de vésperas, houvemos vista de terra!… A terra de Vera Cruz!”

Vale com certeza uma visita. Para brasileiros, portugueses ou apreciadores de mundo. Para mim, nunca fez tanto sentido entrar numa igreja e tirar foto de estátua durante visita à Europa: muitas vezes, eu mal conhecia a figura. Em frente à sepultura, sentimento de orgulho, identificação e pertencimento batendo no peito. Nas terras de Cabral, nada como associar o nome à figura. Que tal?

Túmulo de Pedro Álvares Cabral
Igreja de Santa Maria da Graça
Capela de São João Evangelista
Santarém, Centro Histórico
Ribatejo, Portugal
(Distância de Lisboa: 80km)

Para aquecer a alma

martinparr

Duas exibições interessantes na cidade são a boa dica de roteiro cultural nesse final de ano: a exposição fotográfica Martin Parr: Return to Manchester e a mostra conceitual Nordic Craft and Designem cartaz na Manchester Art Gallery, com entrada franca. (Ananda, irias adorar as duas! Valeu a lembrança!)

Fotografia: o inglês Martin Parr é considerado um dos principais expoentes da fotografia comtemporânea, ao retratar o Reino sem filtro. Com seus súditos e vassalos, desesperanças e glórias. Na mostra, o cotidiano dos Mancunians (como é chamado o povo aqui na cidade) apresentado em um registro explicíto de sua rotina, cultura e identidade. 

Design nórdico: artesanato, móveis, roupas, luminárias; vidro, ferro, madeira e um olhar no futuro. As peças criadas por designers e artesãos da Dinamarca, Noruega, Finlândia e Suécia, formam a coleção recém incorporada ao acervo da MAG.

Pra quem não é lá muito fã de Christmas Markets e Ho! Ho! Ho!, um calor na alma para aquecer os gelados pés caminhantes no inverno em Manchester. Como um vinho quente, cultura e identidade. Que tal?

Fotografia:
Martin Parr: Return to Manchester (até 22 de abril/2019)
Design:
Nordic Craft and Design (até 10 de novembro/2019)
Manchester Art Gallery (M2 3JL)
Entrada franca

I can’t get no satisfaction

mygeneration

(Crítica by lwg)
Irreverência, provocação, modernidade. Mas, acima de tudo, desejo de mudança. O pano de fundo? Fama, glitter e outros brilhos. E muito, muito sexo, drogas & rock and roll.

O documentário My generation (Minha geração) é uma good trip sobre quem atravessou os loucos anos rebeldes no lugar certo, na hora certa. Com apresentação do ator inglês Michael Caine, o filme retrata a efervecência de Londres no período pós-guerra europeu, até o final da década de 60. Sim, século passado. A história de uma geração que lutou contra o establishment, as regras, a seriedade e a rigidez britânica, inebriados pela arte, criatividade e insatisfação.

O roteiro é conduzido pela trilha sonora dos embalos de sábado (e outros dias mais) à noite. Rolling Stones, The Who, Beatles, Mariane Faithfull, David Bowie. As raras imagens e depoimentos dos principais intelectuais, atores, músicos, artistas plásticos, designers, fotógrafos e modelos da época ilustram bem o auge da cultura pop que dominou o planeta naqueles idos. O jogo de falas antigas de Michael Caine com a atualidade cria a ideia de que tudo foi permitido. Até mesmo sobreviver para contar e, literalmente, narrar a história.

Do ponto de vista estrutural, o documentário carece de um fio condutor. Mas, por outro lado, quão mais apropriado seria apresentar o tema sem fio condutor, normas e formas? Ponto para os roteiristas. E assim, se na primeira metade do filme perdemos um pouco o trem da história, as canções e as imagens nos guiam em tom, cor, dados e datas.

Um retrato. Um registro marcante de jovens rebeldes (como se dizia na década de 60), contraventores (na década de 70), formadores de opinião (logo ali atrás) ou influencers (como se diz hoje em dia). Cada geração é única e, por si só, autêntica. Sejamos influenciadores. Para o bem, para o novo, para o saudável e para a insatisfação. Ao forjar o futuro, não definimos certo e errado. O presente existe e põe à prova os que ousam sair da zona de conforto.

No final do filme, ao refletir sobre o lado B, as bad trips e excessos cometidos pela sua geração, Caine com sua voz acolhedora (testemunha real dos loucos anos vividos) manda um sutil recado para as gerações futuras: maybe, for some of us, the party had gone on too long (talvez, para alguns de nós, a festa tenho ido longe demais). Que tal?
Ficha técnica:
My generation (UK, 2017, 85min)
Direção: David Betty
Roteiro: Dick Clement, Ian La Frenais
Direção de fotografia: Ben Hodgson
Atores: David Bailey, Michael Caine, Joan Collins, Roger Daltrey, Dudley Edwards, Marianne Faithfull, Barbara Hulanicki, Lulu, Paul McCartney, Terry O’Neill, David Puttnam, Mary Quant, Mim Scala, Sandie Shaw, Penelope Tree & Twiggy

My generation
Irreverence, provocation, modernity. But above all, desire for change. The backdrop? Fame, glitter and other sparkles. And too much sex, drugs & rock and roll.

The documentary “My generation” is a good trip about those who went through the crazy rebel years in the right place at the right time. With the presentation of the English actor Michael Caine, the film portrays the effervescence of London in the postwar European period, until the end of the 60’s. Yes, last century. The story of a generation that fought against British stablishment, rules, seriousness and rigidity, intoxicated by art, creativity and dissatisfaction.

The script is driven by the sound of Saturday night (and other days). Rolling Stones, The Who, The Beatles, Mariane Faithfull, David Bowie. The rare images and testimonies of the main intellectuals, actors, musicians, artist plastics, designers, photographers and models of the time, illustrate the pick of pop culture that dominate the pattern. The game of old speeches of Michael Caine with the present, the idea that everything was allowed. Even to survive to tell it literally.

From the structural point of view, the documentary lacks a guiding thread. But, on the other hand, how much more appropriate would it be to present the wireless theme, rules and forms? Point to the writers. And so, if in the first half of the movie we lost the train of history a little, the songs and the images guide us in tone, color, data and dates.

A picture. A striking record of rebellious youths (as they were in the 1960s), offenders (in the 1970s), opinion formers (soon thereafter) or influencers (as they are nowadays). Each generation is unique and by itself, authentic. Let us be influencers. For the good, for the new, for the healthy and for the dissatisfaction. In forging the future, we do not differ right and wrong. The present exists and puts to the test those who dare to leave the zone of comfort.

At the end of the film, Caine’s welcoming voice (real witness of the crazy years spent) sends a subtle message to future generations: maybe, for some of us, the party had gone on too long. Que tal? What you think?