Vida longa às artes

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                                                                                                             (pixabay.com)

Essa semana fui assistir ao quarteto de cordas Quatour Danel na Martin Harris Centre, Universidade de Manchester. E imersa na sensível interpretação dos músicos (franceses, não ingleses!), lembrei o quanto aproveitava os eventos gratuitos de música em Porto Alegre. Mas isso foi ainda no século passado, quando eu era estudante de música.

A cidade oferecia uma fervilhante programação de concertos, recitais, cursos e oficinas, em geral gratuitos. Naquela época, as principais orquestras – OSPA, Theatro São Pedro, Unisinos e Ulbra, entre outras, mantinham programas permanentes vinculados a visionários patrocinadores. Havia os clássicos concertos Dana, Olvebra, CEEE, projeto Blue Jazz, Música ao meio dia e muito mais. Sem contar os memoráveis Festivais de Coros, que agitavam os quatro cantos da aldeia. A OSPA chegou a manter o íncrível número de 2 concertos oficiais por semana. Terças e quintas. Muitas vezes saía da aula direto para o teatro. Lembram Aninha, Drica e Andreia? Hoje pelo que sei os concertos da OSPA, por exemplo, são mensais.

Claro, se educação é artigo de luxo em Terra Brasilis, quiçá cultura! Orquestras, corais, escolas de música? Elite. Trabalho de loucos, apaixonados e incansáveis artistas. Ou visionários patrocinadores. Vida longa às orquestras, corais, escolas de música. Everywhere. Que tal?

Programação fixa de eventos nas principais instituições de musica e arte em Manchester:
Martin Harris School of Arts and Drama (UNI)
quintas e sextas, 13h10, free
Royal Northen College of Music (RNCM)
segundas e quintas, 13h15, free
Bridgewater Hall
vários dias da semana, eventos pagos

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“Please stifle coughing as much as possible!” – lwg

*Após o recital, leio mais atentamente o programa. Ali, bem embaixo, em letras miúdas, a orientação: por favor, segure a tosse o máximo possível… Very British

Summary
Long live the arts
This week I watched the Quatour Danel at Martin Harris Centre at UNI. And opportunities like these remind me of when I never missed a free event in my hometown, Porto Alegre, when I was a music student there. Here in Manchester we have a lots of music and arts events to attend. Follow below three of the most important institutions for arts and culture. Que tal? What you think?

 

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Tá com tempo?

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Mostra Twilight Language – lwg

Pra quem tem, ou quer se perder – no tempo, a Whitworth Gallery em Manchester (Oxford Road, M15 6ER) apresenta a mostra RAQS Media Collective: Twilight Language, que fala sobre a perspectiva do… tempo. A exposição multimídia fica em cartaz até fevereiro de 2018.

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Já na entrada, a mensagem: Lost in search of time, num jogo de acende e apaga, luz e sombra, brinca com o sentido das frase… perdido no tempo, perder tempo, perdido em busca do tempo, em busca do tempo (perdido?).

 

E se em vez de números, nossos relógios tivessem palavras como relaxar, alongar, amar e encontrar amigos, seríamos pontuais? Pense. Outro destaque: relógios de várias cidades do mundo iluminados por um farol apontam níveis de estresse, medos e fobias. São Paulo aparece com elevado índice de… panic. Vejam só.

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Entender o tempo a partir de outras perspectivas e dimensões pode ser assustador. Ou revelador. Depende de quanto tempo dedicamos a pensar sobre nosso tempo. Que tal?

Summary
Do you have time?
For those who have time or would like to get lost in time the Whitworth Gallery presents the exhibition RAQS Media Collective: Twilight Language, until February 2018. The message “Lost in search of time”, in a game of light and shadow, makes a pun with the meaning of the sentence… Lost in time, lost time, lost in search of time or searching (lost?) time. A lighthouse whatchs with hours in differents cities in the world shows the audience not numbers, but levels of feelings such as panic, fear, relaxing, etc. Seeing time in differents perspectives and dimensions can be frightening. Or revealing. It depends on how much time we spend just thinking about time. Que tal? What you think?

*O tempo voa: pôr-do-sol hoje foi às 15h55min

Bis zum nächsten, Nürnberg!*

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                                                                               Nuremberg, vista do castelo – lwg

Nuremberg se localiza no norte da Alemanha, região da Baviera. Importante pólo econômico e cultural do pais, foi uma das cidades mais destruídas na WW2 e palco dos julgamentos dos criminosos de guerra. Em 1993 foi inaugurado o Caminho dos Direitos Humanos (construído pelo artista israelenese Dani Karavan) na cidade. A instalação dessa obra é considerada uma clara oposição de Nuremberg ao totalitarismo.

Richtig (certo)! Feitas as apresentações quero dizer que, para mim, estar na Alemanha é como estar em casa. Não somente pela herança germânica de quem nasceu no Sul do Brasil (cultura em que fui criada), mas pela memória afetiva das turnês com o Expresso 25. Nesse país visitei cerca de 20 cidades, conheci pessoas e lugares maravilhosos, vivi histórias inesquecíveis e, ao conviver de perto com as famílias que nos hospedaram, aprendi a respeitar e admirar um povo de olhar profundo e discreto, que encara o futuro sem esquecer o passado.

A visita a Nuremberg no último final de semana foi muito bacana. Conhecemos o castelo (Nürnberger Burg, séc. XI), o mercado (Hauptmarkt), o Museu do Brinquedo (Spielzeugmuseum), caminhamos pelo centro histórico, comemos bratwurst e, claro, um BOM döner kebab já que ninguém é de ferro (ok, é um prato turco, mas conheci em Tübingen em 2006, lembra, Émerson?)! E fiquei com saudade dos passeios e amigos da última visita a Berlim. Mas isso são outrosquetais!

Dessa vez, não havia champagne e pretzel quentinho nos esperando no gabinete do prefeito, como nas viagens com o Expresso! Hoje viajo anônima, com meus meninos. Busco novos caminhos, novas memórias, novos sabores. E assim, me sinto em casa. Que tal?

*Até a próxima, Nuremberg!

Summary
After a short stay in Nuremberg last weekend I realised that being in Germany is like being home. Not only because I grew up in a German-style culture and family but also because it reminds me of when I travelled to Germany with Expresso 25 long ago. Everything is familiar. But now, at the same time, it gives me the opportunity to seek new paths, new memories, new flavours. Que tal? (What you think?)

Desorientação e paz

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Imperial War Museum North, Manchester – lwg

O Imperial War Museum North é mais um espaço imperdível em Manchester. Criado em março de 1917, ainda durante a 1º Guerra Mundial, mantém um importante acervo sobre guerras, Holocausto, Winston Churchill, Battle of Britain, Dia D, e outros temas. História, memória e modernidade. Novamente, olhar o passado para construir o futuro.

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O prédio atual foi construído em 2002 pelo renomado arquiteto polonês Daniel Libeskind (Jewish Museum Berlim e Ground Zero NY). O conceito original era transmitir ao público a ideia do mundo divido pelas guerras (ar, terra e água), e que nunca mais será o mesmo. A desorientação dos visitantes no museu é proposital. Guerras desconsertam. Entendê-las nos pacificam.

Além das mostras permanentes está em cartaz a retrospectiva do artista inglês Wyndham Lewis: Life, art, War. Ele é considerado um dos precursores do vorticismo – estética que agrega ação e movimento à pintura, escultura e literatura.

Durante minha visita ficou clara a referência ao papel do povo e o aspecto humano durante os conflitos. Experiências e relatos pessoais sempre tornam a história, memória viva. Que tal?

Imperial War Museum North
The Quays, M17 1TZ
Entrada franca

*Castelo de cartas, parte 2: além do ex-secretário Fallow (envolvido em denúncias de assédio sexual), agora a ministra inglesa de Cooperação Internacional, Priti Patel, pede demissão do cargo. Why? Realizou reuniões não oficiais com líderes políticos em Israel durante seu período de férias (o que é considerado uma falta grave no código de conduta ministerial). O que move homens e mulheres são motivos bem diferentes, não?

Breaking news VI: castelo de cartas

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Sir Michael Fallon (themirror)

O Secretário de Defesa britânico, Sir Michael Fallon, renunciou ontem após denúncias de assédio sexual. Ele é acusado de tocar várias vezes o joelho de uma jornalista durante jantar oficial em 2002. Em sua carta de demissão, Sir Fallon alegou ter tido um comportamento abaixo do padrão exigido para chefiar as Forças Armadas do Reino Unido. O pedido formal foi entregue à Primeira Ministra, Theresa May.

Na onda das recentes (e muitas) denúncias de assédio e abuso sexuais por parte de poderosos personagens mundo afora. a saída do secretário se torna evidentemente um bom exemplo, como pronunciou a Ministra em seu discurso.

Tomara a moda de denunciar pegue! Tabus sendo quebrados, medos individuais ganhando apoio coletivo. Fallon, Mayer, Trump, Weinstein, Spacey, Mané da Silva… as nacionalidades e os cargos são diversos, mas o comportamento machista e intimidador, o mesmo. Sempre. Em qualquer lugar. E não só no jet-set, mas nos ônibus, nas ruas, nas casas, nas igrejas, nas escolas.

Educação. Mais uma vez. Ensinar meninos e meninas que a palavra não, significa… NÃO. E ponto. Valorização e respeito ao corpo, aos limites. Talvez faça a diferença na vida adulta das novas gerações. De famosos ou anônimos. Que tal?

*News Impact Summit Manchester: evento para jornalistas que participei ontem discutiu novas tecnologias para definição de público e divulgação, cobertura dos atentados terroristas e, principalmente, ressaltou como o jornalismo comunitário será o futuro da notícia. Destacou também o relevante papel dos bloggers na produção e disseminação de conteúdo qualificado. Bacana. Numa profissão cada vez mais high-tech, uma retomada de velhos conceitos, repaginados.

 

*O horário de verão (BST) terminou no último domingo. E já na virada, segunda-feira amanheceu com gelo pelas ruas e 1ºC. A coisa é rápida por aqui!

Simples assim

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Lutar, lutar, lutar
Pra gente ser feliz
Cantar, cantar, cantar
Como a gente sempre quis”
(Amar, I. Lins/V. Martins)

Ok, atendendo a pedidos… sinal de fumaça, cartas, mensagem na garrafa… Aqui um pouquinho de como rolou o show do Expresso 25 & Ivan Lins semanas atrás em POA. E fica por aqui, já que notícia velha só serve mesmo para embrulhar fish & chips e agora é hora de seguir em frente!

 

Delícia cantar com Pablo & Expresso 25
Delícia conhecer Ivan Lins
Delícia conviver um pouquinho com Ivan Lins e ouvir suas histórias
Delícia ensaiar muito
Delícia gravar CD e DVD
Delícia passagem de som
Delícia encontrar colegas e amigos
Delícia rever amigos de ontem e pra sempre
Delícia ver minha família
Delícia achar que estava de férias e trabalhar muito
Delícia guaraná Fruki e brigadeiro
Delícia banho de sol com amiga
Delícia sentir medo de temporal
Delícia atravessar zona norte de POA alagada
Delícia usar cílios postiços com ajuda profissional da Jamile
Delícia show com casa lotada
Delícia reconhecer pessoas na plateia
Delícia cantar muito
Delícia abraço apertado dos meus na volta

 

Estava nas nuvens! No voo de volta pra casa, tomei um champanhe e sorri feliz. Simples assim. Pelas decisões, coragem… sei lá. Como disse a Paula, mães também merecem uma aventura. Que venham as próximas! Que tal?

* Marco, esse post não exclui a nossa prometida conversa por uats! Mas só para já irmos afinando a pauta.

“Atravessamos o deserto do Saara…”

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Vista da janela da minha casa ontem – lwg

o sol estava quente” e deixou Manchester toda em tom sépia. Amarela, avermelhada. Cor de abóbora! O fenômeno ontem durou cerca de 8 horas e deixou o povo intrigado. Mas, para tudo, sempre há uma explicação! Científica, é claro.

Esclarecimentos sobre o que ocorreu ontem aqui na Ilha, que parecia da magia! Mesmo!

– Furacão Ophelia ao se deslocar para o Reino Unido trouxe poeira da Espanha e Portugal
– A poeira continha fuligem das recentes queimadas na península Ibérica e areia
– Areia que veio do deserto do Saara na África, também engolfada pelas rajadas do furacão
– Essa combinação de partículas + a massa úmida (e eterna!) da Inglaterra criou essa parta sépia, um papel machê no céu
– A ventania trouxe também uma massa de ar quente que elevou os ponteiros. Máxima de 20º na cidade
– Carros pela rua cobertos de poeira

Outono com 20º na Inglaterra realmente é um fenômeno! Pra mim, tá valendo! Também curti o clima de Halloween pelas ruas ontem e sentir um vento a mais nos cabelos! De uma certa forma, me lembra os ventos de verão no Brasil. Lufadas assim do nada. Que tal?

* Consultoria científica: Luiz Carlos Gomes, professor de Astronomia e Márcia Braga, professora de Física do CMPA(Porto Alegre).