Indian Summer

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                                                                                                                Oxford street, MCR – lwg

Longa é a arte, tão breve a vida
Louco é o desejo do amador, querida

Talvez na teoria, esse título não faça muito sentido com os versos de Querida (Tom Jobim). Mas quem sou eu para decifrar ou discutir teorias? Escrevo sobre sentimentos, momentos e meus próprios questionamentos. E dessa forma, tento entender o que, às vezes, realmente não faz o menor sentido.

Na terça à noite contava para um amigo sobre o Indian Summer – o tal verão fora de hora que chega no hemisfério norte essa época do ano, trazido pelos ventos da Ásia. Adoro. Ontem, 21ºC. E hoje cedo, 14ºC. Como estava de folga, aproveitei para caminhar na rua (já recuperada da última asma. Sim, tentei correr ao ar livre numa manhã de 06º!).

Me nego a fazer exercício indoor em outubro, quando já sinto o cheiro do frio pela frente. O problema é que fico inventando desculpas pro médico e digo que ainda não estou acostumada com as temperaturas por aqui… Ele pergunta: but how long have you been living in Manchester? Respondo: 4 years. I see… disse ele. (Como se diz pagando mico em inglês?).

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Well. A vida é assim mesmo. Tentar ver o lado bom sempre, se divertir, mesmo com calor fora de hora. Veranico de maio, ou veranico de outubro. Quente demais para alguns, brisa de felicidade para outros.

Como o clima quente em Terra Brasilis atualmente. Ainda que não faça sentido, temos que seguir em frente. Acreditar no sopro de esperança e clareza que ainda nos resta, mesmo que ofuscados pela incredulidade e assombro. Longa é a arte, longa é a tarde. De tristes flores, longa ferida. Grande é a fé do pescador, querida. Que tal?

Indian Summer
Perhaps this title does not make much sense with the lines of Querida (Tom Jobim) in theory. But who am I to decipher or discuss theories? I write about feelings, moments and my own questions. And this way, I try to understand what, sometimes, really does not make sense at all.

Last Tuesday night I was telling a friend about the Indian Summer – the latest heat wave from Asia. I love it. Yesterday, 21ºC. And this morning, 14ºC. As I was off, I took the opportunity to walk in the street (already recovered from the last asthma. Yes, I tried to run outdoors on a 06ºC morning!).

I refuse to do indoor exercises in October, when I can smell the cold ahead. The problem is that I make up excuses for the doctor and say that I’m not used to the temperatures here yet… He asks: how long have you been living in Manchester? I answer: 4 years. I see … he said. (How do you say “pagando mico” in English?).

Well. That’s life. Always trying to see the good side of things, have fun, even with heat out of time. Little summer in May, or indian summer in October. Too hot for some, a breeze of happiness for others.

Like the hot weather in Terra Brasilis these days. Even though it does not make sense, we have to move on. To believe in the breath of hope and clarity that we still have, even if dazzled by unbelief and wonder. Long is the art, long is the afternoon. “Of sad flowers, long wound. Great is the faith of the fisherman, Querida”. Que tal? What you think?

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Brotar do avesso

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                                                                                     Outono aqui, primavera lá – lwg

Como sempre escrevo aqui no blog, as mudanças de estação, com suas cores, luzes e climas me enchem de reflexões e planos. Seja para encher a casa de nozes (renovar o estoque de chá), cortar lenha (checar o funcionamento do heating) ou correr no sol (somente nos quinze dias de verão que tenho aqui!). Apenas sinto. Na pele e no rosto. E gosto.

O outono começa hoje e há semanas já mostra a que veio. É real, definido e com sérias intenções. Mesmo que colorido. A Márcia me mandou um vídeo com a cantoria de pássaros no terraço de sua casa, anunciando a primavera lá no sul. Adorei. Aqui, não ouço muito o som da nova estação. As janelas de vidro duplo que me protegem do frio no inverno também me distanciam do som da chuva e vento que por vezes observo, quentinha, dentro de casa.

E como vivo no Reino do Revés, com tudo meio virado, essa semana minha linda orquídea está cheia de flor. Como que anunciando a primavera somewhere. Talvez tenha sido o cuidado da minha amiga Raquel com a plantinha. Ou simplesmente saudade da estação das flores. Como um brotar pelo avesso. Um respirar eterno em busca de luz e esperança. Como minha pele. Que tal?

A cara do outono
Tempestade Ali há uma semana com ventos de até 130km/h causou uma morte e muita destruição pela ilha (casas derrubadas, corte na energia elétrica e dezenas de voos cancelados)
Temperaturas máximas de 14ºC
Alerta amarelo em função do vento e chuva

Preguiça de verão

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                                                                                                                                   (lwg)

Na terça-feira meu filho retornou à escola. E foi para a segunda série. O tal Y2 como dizem por aqui. E eu não estava nesse dia. Estava com minha mãe em outro sitio. Ajustes de coração. Distância e presenças eternamente pondo à prova minhas decisões e coragem. Mas faz parte. Sei que ele estava bem preparado. E amo quando, com um sorriso no rosto cada vez que viajo, diz que vai ficar bem e fala: “não te preocupes mamãe!”.

Na verdade, sinto que tudo está começando um pouco cedo demais. No início do ano letivo, retomada de trabalhos e outros que tais, a clara ideia de que nunca estou pronta para o final do verão. Afinal, o calor que preciso em minha pele não encontro aqui em Manchester.

Moleques de 6 anos de idade na segunda série, outono antes de setembro e frio antes do outono. Agenda para o Natal antes do Halloween, saudades com data de validade vencida, planos para 2019 batendo na porta. De resto, não estranho mais o sol me olhando de canto dizendo até a próxima e minhas caminhadas já cobertas de nuvem e pingos (serão de lágrimas?).

E nas fotos das férias recém organizadas no computador (onde andam os álbuns…), retratos de um verão que passou voando por mim. E mesmo que eu tente seguir o sol em outras paragens, emendando um verão no outro, não tenho limite de cartão de crédito para tantos fusos horários, nem cabeça para converter tantas moedas… Preguiça de verão. Que tal?

Museu de futebol

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                                                       Imagens de Pelé estão por toda parte no NFM – lwg

Algo como… do país do futebol (Brasil), para a terra do football (Inglaterra, 1863). Essa é a sensação de ser brasileira visitando o National Football Museum em Manchester. E aqui ao pé do ouvido: mesmo pra quem (como eu!) não é praticante/entendedor/fã/torcedor/etc, a experiência em si é uma boa pedida. Nem que seja somente para entreter os torcedores mirins em dia de chuva nas férias! (Marcelo: tentei de tudo para evitar ir num museu de futebol, mas pedido de aniversariante é pedido de aniversariante!).

Instalado num moderno e espaçoso prédio no centro da cidade, o museu apresenta diversas atrações interativas, além de uma grande coleção de artigos, material gráfico e raridades relacionadas ao futebol. Não só do Reino, claro, mas também mundial. E em ano de Copa do Mundo, tudo parece uma extensão da festa. Nada mais apropriado. Até eu entro no clima!

E as histórias contadas e recriadas a partir de desses elementos e imagens nos transportam para dentro do campo, arquibancadas, bastidores. E assim nos tornamos ingleses, brasileiros, mexicanos, uruguaios, franceses, portugueses e o que for. Unidos através do grito de gol ou do controle remoto. Que tal?

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Serviço
National Football Museum
Urbis Building, Cathedral Gardens
Manchester M4 3BG
Diariamente, das 10h às 17h
Entrada franca

Summary
Football museum
Something like… from the country of ‘futebol’ to the land of football. This is the feeling for a Brazilian visiting the National Football Museum in Manchester. Even for people like me who don’t like/play/understand/support it, the experience itself is a very good tip for a rainy day in the school holidays.

Housed in a modern and spacious building in the city centre, the museum features several interactive attractions as well as a large collection of articles, graphic material and rarities related to football. Not only from the UK, of course, but also from all over the world. But in a World Cup year, everything seems like an extension of the celebration. Nothing more appropriate. Even I got in the mood.

And the stories told and recreated in all those elements and images in the museum take us into the fields, stands, backstage. And so we become English, Brazilians, Mexicans, Uruguayans, French, Portuguese or whatever country it is. United by a goal shout or the remote control. Que tal? What do you think?

National Football Museum
Urbis Building, Cathedral Gardens
Manchester M4 3BG
Free entry, open daily (10am-5pm)

Breaking news VIII: tiroteio em Manchester

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Moss Side ontem após tiroteio (foto: Manchester Evening News)

Um tiroteiro ocorrido às 02h30 (GMT) da manhã de ontem (domingo, 12/08) aqui em Manchester deixou 10 feridos e a população bem alarmada. O cenário do ataque foi o bairro Moss Side, historicamente um dos mais violentos da cidade. E novamente (post breaking news IV: ataque terrorista em Manchester, 23/05/17) escrevo para tranquilizar amigos e familiares que entraram em contato conosco ontem. E feliz em reportar que, como no ano passado, estamos bem e em casa.

Informações divulgadas até agora:
– o tiroteio ocorreu no bairro Moss Side durante
o tradicional carnaval caribenho
– 10 pessoas foram feridas; idades entre 12 e 50 anos
– os ferimentos são considerados leves, sem risco de vida
– policiais e autoridades estão tratando o caso como tentativa de homicídio
– foi descartada a hipótese de ataque terrorista
– até o meio-dia de hoje (GMT) nenhuma prisão foi feita
(fonte: BBC News/Manchester e Manchester Evening News)

(English Version)
Breaking news VIII: shooting in Manchester
A shooting at 2:30am (BST) last Sunday in Manchester left 10 people injured and the population alarmed. The scenery of the atack was Moss Side, historically one of the most violent areas in the city. And once again (post breaking news IV: a terrorist atack in Manchester, 23/-5/17) I am writing to put at ease friends and family that were in touch yesterday. And I am also happy to report that, as last year, we are safe and at home.

Some of the news released recently:
– the shooting took place at Moss Side during the traditional Caribbean Carnival
– 10 people were injured; from age 12 to 50
– the injuries are considered no life treatening
– police and authorities are treating the case as an attempted murder
– the possibility of a terrorist atack has been discarded
– no arrests have been made until 12pm today
(source: BBC News/Manchester and Manchester Evening News)

Para sensíveis espectadores

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Um roteiro bem original para quem aprecia o mundo das artes são as visitas guiadas em teatros e museus. Não somente o caminho óbvio para turista ver. Mas aqueles na contramão do grande público… que nos levam aos porões, aos bastidores, ao som e ao cheiro dos grandes espetáculos do passado. Mas procure bem. Os segredos e marcas desse tipo de programa somente se destacam aos olhos dos mais sensíveis espectadores.

O Victoria & Albert Museum em Londres promove diariamente a atração Theatre & Performance, um tour pelo acervo dos principais espetáculos já apresentados no UK. A entrada é franca. No dia da minha visita semana passada, 34ºC na rua e uns 27ºC no interior do museu, quase perdi a vez! Haviam pensado em cancelar o tour em função do calor dentro da galeria! Eu, a única brasileira no grupo de 12 pessoas disse: oh, come on! We are gonna be fine! E deu tudo certo. Nenhum desmaio!

O espaço abriga um vasto de material relacionado a produções artísticas. A cada novo display, pelos corredores, um passeio (com 1h de duração) pelos estágios de montagem dos espetáculos. Criando, ensaiando, cenário, figurino e maquiagem, produção e divulgação. E o que mais vier.

Nas oportunidades em que fiz esse tipo de tour me deixei levar pela imaginação e recriei meu próprio espetáculo. Como hologramas do passado, personificando e imortalizando seres comuns em performances únicas, visualizei cantores, atores, bailarinos, músicos e maestros. Ouvi o silêncio, o calor, os leques, as joias, as mãos entrelaçadas, as respirações, o aplauso, o riso, o choro e a catarse do público. Me encantei com as cores, os figurinos, as luzes, a maquiagem, o suor e as expressões dos artistas quando expostos em seu espaço sagrado: o palco. Pude escutar até aquele breve e tenso respirar antes de a cortina se abrir e la magia acontecer. Muito real.

L’Opéra (Paris), Teatro alla Scala (Milão), Teatro Colón (Buenos Aires), Teatro Solis (Montevidéu), Teatro Municipal (RJ/SP) são alguns dos espaços que convidam os amantes das belas artes a adentrar nesse túnel do tempo e reviver, por alguns instantes, a mágica vida dos que viviam nos palcos da vida.

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                                                                   O guia do tour (esq. ao fundo)

Ao final do tour, o guia, um senhor de traços orientais agradece a atenção de todos e faz um pedido: que nós, público, nunca deixemos de prestigiar os artistas. É isso que os mantém vivos, declara. Que tal?

Serviço
Theatre and Performance Tour – Visita guiada
Victoria & Albert Museum, Londres, SW7 2RL
Diariamente, das 14h às 15h
Ponto de encontro: balcão de informações, entrada principal
Entrada franca

Summary
For sensitive eyes
Some of the most original tours for those who enjoy the world of arts and theatres are the guided tours through theatre wings. But take a good look. The secrets and marks of these experiences only arise for sensitive watchers.

The Victoria & Albert Museum in London presents daily Theatre & Performance, a guided tour through a large collection of material from some of the major performances ever presented in the UK. The entrance is free.

Whenever I have the opportunity to go on this type of tour I am always taken by my imagination and recreate my own performance. Like holograms of the past, embodying and immortalizing ordinary beings in unique performances, I picture singers, actors, dancers, musicians and conductors. I hear the silence, the warmth, the jewels, the clasped hands, the breaths, the applause, the laughter, the crying and the catharsis of the audience. I am enchanted by the colors, the costumes, the lights, the makeup, the sweat and the expressions of the artists when exposed in their sacred space: the stage. I can also hear that brief and tense breath before the curtain opens and the magic happens. So real.

L’Opéra (Paris), Teatro alla Scala (Milão), Teatro Colón (Buenos Aires), Teatro Solis (Montevidéu) and Teatro Municipal (Rio and São Paulo/Bazil) are some of those venues that invite lovers of fine arts to enter this tunnel of time and revive, even for a few moments, the magical life of those who lived on the stages of life.

At the end of the tour, the guide, a gentleman with oriental features, thanks everyone for their attention and makes a request: that we, the audience, never fail to honor artists. That’s what keeps them alive, he says. Que tal? What do you think?

BOX
Theatre and Performance Tour – A guided tour
Victoria & Albert Museum, London, SW7 2RL
Daily: from 2pm to 3pm
Meeting point: grand entrance
Free

Ivan Lins, cidadão do mundo!

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Ivan Lins, POA, 2017 (com Expresso 25)

Ivan Guimarães Lins nasceu no Rio de Janeiro em 1945. Carioca, brasileiro, músico dos maiores. Cultuado nos quatro cantos do planeta, é um cidadão do mundo.

Possui uma respeitada carreira artística como compositor, cantor, pianista e arranjador. Suas canções, em parceria com grandes letristas brasileiros, foram gravadas por músicos tanto do Brasil, como do exterior. E por onde quer que circule, com bandas ou orquestras, em festivais, turnês e espetáculos, alcança cada vez mais reconhecimento por sua riqueza musical, traduzindo em música um Brasil de sonho, um Brasil que encanta. Por sua natureza, sua gente, seus sons. Matéria-prima para quem, com sensibilidade e apuro estético, eleva histórias comuns a um patamar de contemplação e rara beleza.

No Brasil eu já havia assistido alguns de seus shows. Em 2017 o vocal Expresso 25 de Porto Alegre teve a honra de dividir o palco com ele, num espetáculo especialmente criado e conduzido pelo maestro Pablo Trindade. Voei de Manchester para POA e tive também a honra de participar desse inesquecível trabalho do grupo (post Simples Assim).

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         Expresso 25 & Ivan Lins: Somos todos iguais nessa noite

E na última quinta-feira em Londres assisti a mais um show do Ivan. Dessa vez a distância foi menor, apenas 2 horas de trem. E a emoção, a mesma. Ou maior, por estar longe do Brasil. Mas isso são outrosquetais.

O concert foi numa casa noturna e durante todo o espetáculo, público cantando junto. Bonito de ouvir. Português com sotaque gringo, inglês com sotaque brazuca. Ou, simplesmente, adoradores de música brasileira. Sem nacionalidade, fronteiras ou rótulos.

Ao meu lado, na pista, um homem cantava afinadíssimo todas as canções. No ritmo, na quebrada, na harmonia. Espiei de canto de olho e, assim como minha acompanhante do show, pensei: esse cara só pode ser brasileiro! Fiquei por ali. Cantando e berrando até perder a voz! Ao final do show, já cantávamos juntos em duetos recheados de saudade (me diz, me diz, como ser feliz, em outro lugar!)… Puxo papo e pergunto em inglês: excuse me, are you Brazilian? Com um sorriso o sujeito responde: no, I am from Persia.

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          Ao meu lado, o tal sujeito persa: música sem fronteiras

What? É isso. Música sem fronteiras. Adorei. Na terra da Rainha, o rei da noite, Ivan Guimarães Lins, une com sua música do mundo, um mundo de gente e culturas. Todos numa mesma voz. Que tal?

Ivan Lins, citizen of the world
Ivan Guimarães Lins was born in Rio de Janeiro in 1945. Carioca, Brazilian, a great musician. Adored in all four corners of the planet, he is a citizen of the world.
Ivan has a respected artistic career as a composer, singer, pianist and arranger. His songs, in partnership with great Brazilian lyricists, have been recorded by great names of music both in Brazil and abroad. And wherever he goes, with bands or orchestras, festivals, tours and shows, he achieves ever more recognition for his musical wealth, translating into music a dreamy Brazil, a Brazil that enchants. For its nature, its people, its sounds. Raw material for someone whose sensibility and aesthetic accurac, elevates ordinary stories to a level of contemplation and rare beauty.
In Brazil I had already watched his shows on some occasions. In 2017 the vocal group Expresso 25 from Porto Alegre had the honour to share the stage with him, in a concert especially created and conducted by Pablo Trindade. I flew from Manchester to POA and had the honor to participate in this unforgettable work by the group.
And last Thursday in London I watched another show by Ivan. This time the distance was shorter, only 2 hours by train. And the emotion, the same. Or greater, for being far from Brazil. But these are other tales.
The concert was at a nightclub and throughout the show the audience was singing along; beautiful to hear that. Portuguese with an English accent, English with a Brazilian accent. Or to put it simply: worshipers of Brazilian music. No nationality, borders or labels.
Beside me, on the dance floor, a man was singing all the songs very well. In rhythm, in harmony. I looked from the corner of the eye and like my guest that night, I thought: this guy must be Brazilian! I stood there, singing my lungs out! At the end of the show, we sang together in duets filled with saudade (me diz, me diz, como ser feliz em outro lugar!). I start a conversation and ask in English: excuse me, are you Brazilian? With a smile the guy answers: no, I am from Persia.
What? That’s it. Music without borders. I loved it. In the land of the Queen, the king of the night, Ivan Guimarães Lins, unites a world of people and cultures with his world music. In one voice. Que tal? What you think?