Trick or Treat!

Conta a lenda que a celebração secular do Halloween descende de uma tradição celta. Em escocês antigo, Hallo Hellu significava véspera do Dia de Todos os Santos. Ou seja, entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e o dia 1º de novembro, aconteciam as festas para se reverenciar os mortos. Em inglês, All Hallow’s Eve. Hoje, Festa do Dia das Bruxas… Na prática: fantasias, curtição, traquinagens e doces. E aí, gostosuras ou travessuras?

(Très Jolie Cupcakes)

(Très Jolie Cupcakes)

Pra criançada, dia 23 foi a festa na escola e toda a turma do maternal foi fantasiada. Como meu filho curte as músicas das caveiras (versões da Galinha e Palavra Cantada, pra quem fala a minha língua!), comprei uma fantasia bem bacana de esqueleto num brechó por £1,49. Tamanho único… único que serviria até o dia 31!

Tamanho único... Único que servia para esse ano! - lwg

Tumbalacatumba tumbabá  – lwg

E sobre as guloseimas, confesso que acabei filtrando um pouco a coisa: fiz muffins de maçã com gotas de chocolate e comprei biscoitinhos de leite e waffer de baunilha para distribuir. Bruno não conhece (ok, ainda!) chiclé, marshmallow, balas e afins. Então, por enquanto posso manter uma linha mais natureba. Por enquanto…

(Très Jolie Cupcakes)

(Très Jolie Cupcakes)

E hoje, pelas 17h daqui (ou seja, noite fechada), a gurizada do bairro sairam com suas sacolas e baldinhos atrás dos doces (até o fechamento dessa edição, nenhum fantasminha, caveira ou abóbora havia batido em nossa porta!). Sugeri para a criança aqui de casa colocar a fantasia de caveira depois do banho… eram 18h30 e ele, super cansado, me responde com um sonoro não! Tudo bem, talvez ano que vem estejamos mais no clima e até eu saia por ai com minha própria Trick-or-treat bag. Sabe como é… rapadura é doce mas não é mole não! Que tal?

(Très Jolie Cupcakes)

(Très Jolie Cupcakes)

*As gostosuras super bacanas das fotos são travessuras da Très Jolie Cupcakes de Porto Alegre. Para qualquer (boa) desculpa para uma gulodice, é só contatar o pessoal pela página no Facebook!

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No balanço das horas…

No balanço das horas tudo pode mudar! (revelwallpapers)

… tudo pode mudar! (revelwallpapers)

Ontem, dia 25, acabou o British Summer Time (BST). À meia-noite, atrasamos os relógios em uma hora. Na verdade só os de pulso, já que os gadgets são meio mágicos… atualizam sozinhos!

Historicamente, quem se ligou na ideia de aproveitar melhor a luz do dia foi o neozelandês George Hudson, lá em 1895 (aqui na Inglaterra o sistema é usado desde 1916). No Brasil, sempre curti o horário de verão (implantado em 1931). Apesar de acordar meio grogue, era bacana aproveitar a praia até mais tarde ou, até, chegar em casa depois do trabalho e ir jantar num cenário com cores de pôr-de-sol. Mas há quem não goste.

Por aqui, o app BBC Weather já me prepara para o que vem por aí nesse outono/inverno: temperaturas máximas de 12º e a cada dia que passa, o sol nascendo mais tarde e sumindo mais cedo… Quando tem sol, claro! Hoje, por exemplo, tivemos nascente às 06h56 e poente às 16h49.

Eu, tento pensar como aproveitar melhor a luz natural… sendo que ao meio-dia, o sol me deixa apenas seu olhar 43, aquele assim, meio de lado… já saindo, indo embora. Enfim. Outros países também ajustaram seus relógios recentemente… saudando, ou fechando o verão. No balanço das horas, vou me ligar nesse esqueminha antes de telefonar, chamar no skype ou mandar mensagens fora de hora! Que tal?

Brasil: – 2h
Espanha: + 1h
Croácia: + 1h
(Mais buscados!)

Vai uma sacolinha aí, Sir?

Posso pegar mais uma sacolinha? Esse simples pedido, tão ouvido nos supermercados e lojas no Brasil, aqui na Inglaterra a partir de agora, pode custar caro. Uma lei aprovada recentemente estabelece a cobrança de £0,05 (5 centavos de libra, ou 5 pence) para cada sacola plástica utilizada. Não é nada… mas 20p (ou seja, 4 sacolas) é o preço de um pacote de 500gr de spaguetti no supermercado. E claro, mais lixo no planeta. Demais países do Reino Unido (Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales) já adotam essa medida há mais tempo.

A novidade passou a valer dia 5 de outubro. Por aqui, o povo em geral já estava acostumado a levar suas sacolinhas de pano para compras e os cartões de fidelidade das redes oferecem pontos extras para quem traz sua própria bag. Apesar disso, no dia da estreia, caos nos supermercados e clientes dando piti nos caixas contra a cobrança… Uma das principais redes daqui, o Tesco, resolveu até colocar alarme anti-furto nas ditas sacolas… Vejam só!

Sacola plástica do Tesco: a partir de agora com alarme! (Telegraph)

Sacola plástica do Tesco: a partir de agora com alarme! (Telegraph)

Não sou tão consciente (e praticante) de atitudes ecológicas e sustentáveis como gostaria (deveria). Economizo água e energia, não tenho mais carro há long time, caminho mais e ando de bike, preservo a natureza, faço coleta seletiva e compro menos. Mas ainda uso as sacolinhas plásticas de super. Sorry. Pelo menos tento reutilizá-las sempre.

Em Manchester usamos duas sacolas de TNT (já meio velhinhas) do Zaffari, que eu trouxe na mala quando viemos. Não que aqui não tenha modelos práticos e divertidos (de algodão, TNT, PET, jeans, etc). A ideia foi trazer algo de POA. Tudo bem que o calendário estampado na sacola seja de 2014, mas me lembra os ranchos dominicais e o almoço na lanchonete do Higienópolis… Saudade reciclável! Que tal?

Sacola de TNT do Zaffari... Saudade reciclável! - lwg

Sacola de TNT do Zaffari… Saudade reciclável! – lwg

Em tempo: em 2014, mais de 7,6 bilhões de sacolas plásticas foram distrubuídas pelos principais supermercados na Inglaterra; Cerca de 140 por pessoa; Mais de 60 mil toneladas de plástico;

Vou de bike (cê sabe!)…

O final das minhas férias escolares no Brasil eram assim: saudades do mar, dos amigos, dos sorvetes e das bandas de bici (não necessariamente nessa ordem!). E as marcas nas pernas não deixavam dúvidas: roxos, arranhões e joelhos ralados eram a lembrança de um tempo em que andar de bicicleta era só… pedalar.

(revelwallpapers.com)

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Claro, de lá pra cá, muita coisa mudou. Se antes capacete era coisa de motoqueiro ou astronauta, hoje é equipamento básico de segurança. Naquela época, nos veraneios na praia, eu andava pra todo lado, sem capacete. Buscar pão na esquina, casa dos amigos, beira do mar, Imbé, plataforma, mercadinho Winter e o mais bacana: reunir a galera e bradar “Vamos brincar de fazer novos caminhos?” Nem sempre dava tudo certo, mas era diversão garantida. Os modelos eram vários e lembro alguns que eu e minha irmã tivemos: Caloi Ceci (hoje estilo vintage) e uma Barra Forte (freio de pedal) que nunca soube a cor original de tanta repintura que teve. Também bombavam a Poti (pedi e nunca ganhei!), monareta, Caloi Cross, Caloi 10, Odomo e até uma roxa com banco tigrado pra lá de anos 80 (muito brega)!

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Em Porto Alegre, já adulta, tive algumas bikes. Mas morando em uma cidade tão desnivelada (e em apartamentos em geral sem elevador), a preguiça falava mais alto e fui optando por outros meios de transporte e lazer. Uma pena. Mas ainda no ano passado, curti umas bandas até o Parcão. E foi só.

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Aqui em Manchester (e em geral toda a Europa), ciclismo é assunto sério. As ciclovias e equipamentos de segurança (coletes refletores, clips para calça, luvas, câmeras, etc) estão nas ruas, assim como pedalantes de terno e gravata, saias e calça jeans. E além da segurança, o que tenho visto é um efetivo respeito aos ciclistas e uma convivência (aparentemente) pacífica no trânsito. As bikes podem ser transportadas nos trens e algumas estações oferecem pontos gratuitos de calibragem e ferramentas. ONGs e a prefeitura oferecem cursos para quem quer se aventurar ou se primorar na coisa. Há também o Sky Ride (site organizado pelo British Cycling), que reúne dicas, sugestões de passeios e eventos ciclísticos por localidade. Tudo bem organizado. Mas se precisar reparos, se vire. Não existe a nossa velha borracharia do bairro. O lema é DIY… Do it yourself. E leve sua própria bomba de ar. Pois calibrar pneu no posto custa 50p (uns 3 reais).

Primeiro passeio de bike por aqui em maio - lwg

Primeiro passeio de bike por aqui em maio – lwg

Meses atrás comprei duas bike. Usadas. E três capacetes e uma cadeirinha. Não busco pão na padaria da esquina pois… bem, não tem muita padaria por aqui. Mas tenho ido ao supermercado, biblioteca, restaurantes, banco e posto de saúde. Também levo e busco meu filho na escola e visito novos parques. Já tenho até um mapa com trilhas, ciclovias, demarcações de terrenos acidentados e postos de serviços para ciclistas.

Bikes novas usadas... ou usadas e novas!

Bikes novas usadas… ou usadas e novas! – lwg

A cidade é plana. Ótimo. Só preciso agora me acostumar a pedalar com temperaturas abaixo de 10ºC. Nada que uma balaclava, luvas e outros que tais, não resolvam. Como sou amadora, minhas distâncias ainda são relativamente curtas. Mas pouco a pouco, chego lá. Seja onde for. A sensação de sair por ai de bici me enche o coração de saudades… do mar, dos amigos e dos sorvetes (não necessariamente nessa ordem!). Que tal?

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(revelwallpapers.com)

Mancuniam

Como aprendemos por aí (escola, livros, ou in loco), os romanos estiveram por toda a Europa (além de outros continentes) durante seu longo império. E também andaram aqui por essa ilha, a Grã-Bretanha. Dia desses fomos conhecer a região em Manchester que ainda mantém ruínas desse período.

A área conhecida como Deansgate-Castlefield fica na porção centro-oeste da cidade e reúne os antigos canais vitorianos que escoavam a produção industrial até o porto de Liverpool (desde 1761), e hoje estão revitalizados. Continuando o passeio, encontramos, além de cafés, pubs e descolados restaurantes, um dos mais relevantes museus daqui: o MOSI, museu da Ciência e Indústria. Também por ali, em 1830, circulou o primeiro trem de passageiros da história… Mas isso é assunto para outro post!

canais vitorianos do séc. XVIII - lwg

canais vitorianos do séc. XVIII – lwg

E esticando um pouco a caminhada, chega-se ao Castlefield Park que guarda as ruínas do forte romano construído em 79 d. C. A muralha foi construída pelo imperador Ganaeus Julius Agricola para proteger estrategicamente a pequena vila e ampliar seu alcance (domínio!) entre as prósperas York e Chester (antigas Eboracum e Deva Victrix). Nascia alí, com o nome Mancuniam, a atual cidade onde moro.

origem da cidade de Manchester: ruínas romanas do ano 79 - lwg

origem da cidade de Manchester: ruínas romanas do ano 79 – lwg

Castlefield, um museu a céu aberto, foi reconhecido em 1982 como o Britain’s first Urban Heritage Park, e com isso, detalhadamente (£££) restaurado. E também já foi incluído no nosso roteiro obrigatório para visitas! Ainda temos muitos lugares para conhecer por aqui… Mas ver de perto a pedra original da cidade já é um começo! Que tal?

Deansgate-Castlefield: área hoje revitalizada

Deansgate-Castlefield: área hoje revitalizada