Moqueca, nega!

No último domingo recebemos um casal de amigos e sua filhinha para um almoço aqui em casa. Como ela é brasileira e ele o inglês mais brazuca que conheço, resolvi fazer uma autêntica Moqueca de Peixe! Ou quase.. Não achei azeite de dendê… Mas acho que não fez muita falta!

Nosso encontro foi bem bacana Na verdade tem sido assim desde que nos conhecemos em Didsbury Park lá em setembro de 2014. E para sobremesa, um clássico pudim de leite condensado… Fácil? Not really! Mas outra hora conto como fiz (deve haver alguém como eu que não sabe fazer pudim!).

E aqui a receita da moqueca, inspirada na panelada que meu avô fazia!

DSCF1433

A foto não é a tal… mas ficou bem bom! – lwg

Moqueca de peixe (para 4 adultos, dois pequenos e ainda sobrou!)
Ingredientes:
1,2 kg de filé de peixe cortado em pedaços médios, temperados com sal e pimenta, e levemente empanados com farinha branca
230g de frutos do mar pré-cozidos (usei lula, mexilhão e camarão)
01 pimentão vermelho em tiras
01 pimentão amarelo em tiras
01 pimentão verde em tiras
01 pimentão laranja em tiras
02 cebolas em rodelas
01 lata de leite de côco
02 latas de molho de tomate com pedaços
alho
azeite de oliva para refogar
Sal, pimenta preta, tomilho, orégano, louro, manjericão, sálvia, curry, nóz moscada e salsa para temperar
(não achei azeite de dendê, sorry!)

DSCF1430

Mix de lula, mexilhão e camarão – lwg

Como fiz:
Cortei os pimentões, cebola, alho e misturei; refoguei com azeite de oliva e fui acrescentando água aos poucos; juntei os frutos do mar; depois, espalhei os pedaços de peixe sobre a mistura e deixei cozinhar por uns 10′; coloquei o molho de tomate; após, os temperos e o leite de côco; pronto! Servi com arroz basmati, batata baby e pão ciabatta. Que tal?

DSCF1406

De sobremesa, o pudim. Difícil essa coisa da calda! – lwg

Anúncios

Feliz aniversário vó!

vo

Minha vó em Paris… Claro, eram outros tempos (rw)

Minha avó tem 90 anos. E vai super bem, obrigada. E o que essa história tem a ver com Manchester? Nada. Só que hoje, dia 17 de novembro, é o seu aniversário.

Nascida em 1924 em Porto Alegre, tem origem portuguesa e alemã do lado paterno, e italiano pelo lado da mãe. Aquela mistura fina de europeu com índio bugre, que só quem nasceu no sul do Brasil entende. Foi casada com meu avô por mais de 60 anos; teve um irmão; tem 2 sobrinhas e 1 sobrinho, duas filhas, duas netas e um bisneto. Loira e de olhos azuis, até hoje me conta que o que mais fazia seu cabelo brilhar era lavá-lo com sabão de glicerina. Não havia L’oreal, televisão, geladeira, telefone e outras engenhocas. Mas claro, eram outros tempos.

Em 1941 atravessou a grande enchente de Porto Alegre caminhando com água pelas canelas. Tirou carteira de motorista aos 55 anos e jogou vôlei no time das veteranas da Sogipa até os 70 (sem fazer feio!). Gostava de pescar, dançar, viajar e reunir a família nos saudosos almoços de domingo em sua casa. Costurava super bem e fazia doces como ninguém. But, era contra o leite condensado! Para ela, tudo deveria ser feito em casa: do espaguetti à maionese. Me ensinou como limpar uma casa e o grande segredo na hora de fazer bolos ou sobremesas: uma pitada de sal é tudo de bom!

Eu e minha irmã passávamos as férias de verão com ela na praia. Durante um tempo, até moramos em sua casa no início das faculdades. Sempre grande incentivadora (dizia que vó era mãe com açúcar), adorava cantar e pedia bis para cada arte que fazíamos. E também apontava o dedo e fazia cara feia para outros tipos de arte. Enfim…

Há alguns anos atrás, realizou o sonho de conhecer Paris… E curtiu, elegante e faceira, com bengala e tudo, os memoráveis e tranquilos dias por lá. Mas claro, eram outros tempos.

Atualmente, mora sozinha em seu apê na praia de Ingleses em Floripa e tem smartphone. E, apesar de alguns que tais, ainda não tem planos de limitar essa tal liberdade. Esse ano, pensou em me visitar aqui na Inglaterra… Mas o frio constante que sente e um cansaço pesado de pernas e corpo, a fizeram mudar de ideia. Quem sabe qualquer hora não apareço para uma visitinha

E aqui, minha homenagem de longe pelo seu aniversário de 91 anos: a canção Memory que ela adora (difícil ouvir essa música e escrever pra ela ao mesmo tempo…) e uma lista de palavras e expressões só dela. Compreende?

1. Fiambre (presunto, mortadela, etc)
2. Meados (por volta do dia…)
3. Quem está no aparelho? (Alô, quem fala?)
4. Síllllllllvia (Letra LLLL carregada para chamar minha irmã)
5. De fronte (na frente)
6. Abajour (luzinha de cabeceira)
7. Criado mudo (mesinha de cabeceira)
9. Poltrona (cadeira grande e confortável)
9. Eslaque (calça comprida)
10. Calça (calcinha)
11. Compota (doce de frutas, tipo schmier)
12. Fatiota (terno)
13. Frigidaire (geladeira)
14. Chambre (tipo um roupão)
15. É o fim da picada! (é um absurdo!)
16. Compreende (tá entendendo?)

Dia da Lembrança

Papoula vermelha (revelwallpapers)

Papoula vermelha (revelwallpapers)

Em 11 de novembro de 1918, a rendição da Alemanha marcou o fim da primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Aqui no Reino Unido e Europa, a data é marcada por diversas homenagens. E a principal que estamos conhecendo agora é o uso da papoula vermelha, símbolo maior do Remembrance Day. Ou Poppy Day.

Os eventos em torno da data são organizados pelo The Royal British Legion, governo e comunidade. Durante todo esse mês acontecem marchas, paradas, minutos de silêncio e concertos para lembrar os que lutaram, e refletir sobre o significado do conflito. O Imperial Museum of War em Manchester preparou mostras relacionadas à memória da WW1.

Todos vestem a papoula. Vemos homens, mulheres e crianças com broches na lapela, e também carros, casas e afins, ornamentados com a flor. Claro, todos os objetos poppy são vendidos, para, ao que tudo indica, ajudar os veteranos e seus familiares.

Interessante. Sem muito julgamento, sinto que como sempre estivemos tão longe de grandes guerras (as causas de morte em massa no Brasil também são como guerra e não menos pungentes), ver como um povo em geral se reúne para refletir e homenagear seus combatentes, traz uma sensação de civilidade. Sei lá. Talvez seja apenas para inglês ver. De qualquer forma, sem muito julgamento, parece justo. Que tal?

Durma-se com um barulho desses!

(revelwallpapers)

(revelwallpapers)

Londres, 1605. No dia 5 de novembro um sujeito chamado Guy Fawkes (católico fervoroso) orquestrou um plano para explodir o parlamento Inglês e matar o rei James I (protestante assumido). Na hora H, o insurgente foi descoberto e todos acabaram queimados na fogueira. A noitada entrou para a história como Bonfire Night.

Desde então, os britânicos celebram a data com queima de (muitos) fogos de artifício. Mas, detalhe: não comemoram a tentativa de jogar o parlamento pelos ares, mas sim a captura do pobre queimado, quer dizer, coitado… E a vida do pobre rei, quer dizer, rico, que escapou ileso. Na real, um sutil recado: não mexam com a monarquia…

Aqui em Manchester, a função da queima de fogos começou há umas duas semana. Qualquer mercadinho de esquina vende todos os tipos de explosivos. Meio assustador. Dia desses na fila pro pão e leite, meu olho espiava uma caixa onde se lia: DANGER – TNT. Enfim, a vida é sempre um risco.

Daqui há algumas horas (7pm) começa a tal Bonfire Night, programada para (quase) todos os parques e espaços públicos da cidade… do condado, país, reino. Acho bacana. Mas à distância, claro. E já estou me preparando para a choradeira aqui em casa… Uma vez, o pediatra do meu filho (ou li em algum livro, não lembro), me falou que quando nascemos, temos dois grandes medos: o de cair e o de sons fortes. Bruno não tem medo de cair… já de barulho… Ninguém vai dormir! Que tal?