NHS: o SUS (é) daqui

Na última sexta-feira dia 12 um ciberataque de grandes proporções afetou entidades em mais de 100 países. Aqui no Reino Unido a instituição mais comprometida foi o NHS. Milhões de serviços e pessoas foram afetados. Neste post escrevo sobre o sistema de saúde britânico.

john gomez shutter stock

Manifestações pró NHS (John Gomez/shutterstock)

O National Health Service surgiu durante o pós-guerra. Na época, a iniciativa do governo finalmente reconhecia a assistência médica como um dos cinco grandes problemas a serem enfrentados em um continente em reconstrução (além da carência, ignorância, miséria e preguiça). O lançamento aconteceu em julho de 1948 no Park Hospital, em Manchester.

Desde sua fundação, muita controvérsia. Originalmente, o NHS deveria ser totalmente gratuito e assim foi durante muitos anos. Mas aos poucos novas taxas foram fixadas e novos limites de tratamento. Por outro lado houve grande investimento em pesquisa científica e mudanças na forma de atendimento aos pacientes. Para se ter uma ideia, até 1954 crianças internadas em hospitais só recebiam visita dos pais por uma hora aos sábados… E o resto é história.

Aqui alguns detalhes (experiências) que ilustram o funcionamento do NHS:
– Para ter acesso, as pessoas devem se registrar no posto de saúde mais próximo de sua casa;
– Primeiro passo: agendar consulta com o GP (general practice), ou clínico geral;
– Normalmemte a marcação de consulta ocorre no mesmo dia ou em no máximo 2;
– Não há agendamento direto com especialista sem consulta prévia com o GP;
– O valor fixo dos remédio com receita médica é £8,60;
– A maioria dos medicamentos de uso contínuo é gratuita;
– Todos os medicamentos para crianças (0 a 16 anos) e pessoas a partir de 60 anos são gratuitos;
– As instalações, consultórios e equipamentos são de boa qualidade;
– Para quem está em viagem em países da Europa, o NHS oferece cobertura gratuita para diversos tipos de atentimento médico;
– Dentista: planos de atendimento dentário também são oferecidos pelo NHS mas neste caso, apenas subsidiados pelo governo. Os preços seguem uma tabela entre £20,60, £56,30 e £244,30, conforme a complexidade do tratamento. Crianças e estudantes são isentos;

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Sala de espera da clínica dermatológica onde estive semana passada – lwg

O grande mal do NHS hoje é que está gigantesco, obeso. Com alto custo. E por conta disso vem enfrentando uma série de dificuldades e cortes de orçamento. Não raro vemos manifestações ou lemos artigos alertando para o atual desmantelamento do NHS, falta de leitos em hospitais e greve dos profissionais da área de saúde. Sem falar que cerca de 11% do quadro médico do NHS é formado por cidadãos europeus que, com o Brexit, teriam que deixar seus postos. Crise de saúde como em qualquer lugar. Que tal?

 * Somente tenho acesso ao NHS pois meu visto de residência está ligado à cidadania europeia. Como brasileira, não teria direito.
* O SUS (Sistema Único de Saúde) adotado no Brasil em 1988 foi inspirado no NHS do UK. Era para funcionar.

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2 comentários sobre “NHS: o SUS (é) daqui

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