Podemos ser únicas

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Crítica by lwg
O filme francês Je ne suis pas un homme facile (Não sou um homem fácil/I am not an easy man, Éléonore Purriat, 2018) tem a classificação de comédia, humor negro. Pra mim, ainda que me valeu sufocadas e transbordantes risadas, é um drama. E é chocante. No bom e no mal sentido.

O plot: Damien, solteiro e conquistador convicto (aqui já a provocação… por que todo solteiro deve ser conquistador?) levava uma vida típica de macho alfa bem sucedido – carrão, mulheres, bom emprego, até que um dia após bater de cara num poste, acorda num mundo totalmente diferente. Um mundo onde as mulheres dominam o campinho, o status quo. Mesmo.

E a graça, ainda que crua, está na descrição das personagens: as mulheres desse universo paralelo são chefes, poderosas, objetivas, frias e negociadoras. E assim, também traem, se endividam, bebem, entram em briga e se complicam. São heterosexuais, usam terno e camisa, não se maquiam, não se depilam, abrem a porta do carro aos homens, lutam boxe, trocam pneu e dirigem carrões, claro. Também escolhem seus parceiros (presas) sexuais como, quando e onde bem entendem. E em geral, são mais altas que os homens.

E aqui o estereótipo reforçado é a grande sacada do filme: os homens, em contrapartida, são sensíveis e femininos. Heterosexuais, usam roupas coloridas e justas, echarpes, se maquiam, se depilam, fazem ballet, cuidam da casa, sofrem, choram.

Numa cena quase despercebida, o sobrinho adolescente de Damien desabafa sobre a menina mais linda da escola, pela qual é apaixonado, contando como a garota lhe abusa. De novo, seria comédia se não fosse chocante perceber que essa realidade espelhada acontece a todo momento com mulheres de todo o mundo. Uma tradição (violência) legalizada. Como bater de cara num poste.

Em outra sequência, Alexandra, a mulher por quem Damien se apaixona (se submete) o leva num bar/inferninho e ele, que não se encaixa no mundo, extasiado, delira de emoção: o lugar reúne todas as mulheres que ousaram desafiar a sociedade vigente: estão maquiadas, de salto alto, depiladas, femininas, coloridas. Ou simplesmente, livres em suas escolhas.

É isso. Independente das regras do momento, rímel ou sobrancelha ao natural, cada uma de nós, mulheres, deveríamos ter o poder de decidir o que queremos ser. Em geral somos várias ao mesmo tempo… mas quando podemos, somos únicas. Que tal?

*Falando em escolhas… o palácio de Buckingham comunicou oficialmente semana passada que os recém-casados Harry & Megan dormiriam em quartos separados antes da cerimônia de casamento. Assim (des)caminha a humanidade…

 

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4 comentários sobre “Podemos ser únicas

  1. Susana Fröhlich disse:

    Nossa, que importante essa info sobre os príncipes, não? Aqui rolou que eles iam fazer lua-de-mel em Gramado… 😁
    Sobre o filme, valeu a sugestão – está no Netflix aqui também. Vi outros dois, muito legais: TocToc e outro que não lembro o nome…um grupo de amigos em jantar, resolveu jogar pesado: botaram os celulares no centro da mesa e compartilhar tudo…que sufoco! Beijão procês!

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