MIF2017 Arte e inovação

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                                                                                                                           Manchester – lwg

Logo mais à noitinha na Albert Square acontece a abertura do Manchester International Festival 2017. O evento segue até dia 16 de julho e rola em diversos locais da cidade.

Criado em 2007, o MIF é uma das principais referências em arte, contra-cultura e inovação na Europa e Reino Unido. O festival reúne artistas de diferentes nacionalidades e estéticas para, juntamente com a comunidade e público, desenvolver trabalhos de arte focados em vanguarda e diversidade.

Na programação, filmes, dança, música, mostras, instalações, feira gastronômica, espetáculos infantis, teatro, workshops e debates. O MIF acontece a cada 2 anos e já contou com a participação de artistas como Björk, Krafwerk, Rickie Lee Jones, Laurie Anderson e Lou Reed entre outros. Bora lá?

Eid Mubarak

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                                                                                                   Eid Mubarak (pixabay.com)

Nos dias 25, 26 e 27 de junho diversas regiões da cidade estarão em festa comemorando o Ramadã, ou seja, o fim do jejum dos muçulmanos. A celebração se chama Eid Mubarak, que em árabe significa Festival abençoado.

Desde o dia 28 de março deste ano, os seguidores do Corão não comem, nem bebem desde o amanhecer até o por-do-sol. E aqui no UK, com dias mais longos, foram cerca de 19 horas de jejum por dia. Não é para qualquer um.

Nos bairros muçulmanos aqui em Manchester, cartazes e faixas preparam o povo para os festejos. Haverá feiras gastronômicas, música, dança e demais atividades ligadas à cultura islâmica. Além de orações, claro. Grandes redes de supermercados vendem diversos produtos com rótulos comemorativos ao evento, escrito em árabe.

Tenho muito que aprender sobre essa cultura. Em Manchester vivem cerca de 80 mil muçulmanos, 15% do total de residentes no UK. E a convivência, assim como com outras tribos minoritárias, é (relativamente) pacífica. Bacana. E apesar da tensão pelos recentes atentados (muçulmano atacando ingleses e inglês atacando mesquita), a tolerância prevalece. Mesmo com medo. Em menor escala, mas ainda presente. Não é para qualquer um.

*O inverno, quer dizer, o verão, começou na última quarta-feira dia 21. E após uma semana de sol e temperaturas (intensas) de 28ºC, hoje teve máxima de 16ºC. Minha pele se confunde!

É primavera

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                                                              Fletcher Moss Botanic Gardens – lwg

E eu amo. Principalmente quando faz sol. E como é raro por aqui, quando posso, paro tudo e saio a carpe diar os dias iluminados.

Um lugar para os adoradores do sol é o Fletcher Moss Botanic Gardens, no bairro de Didsbury. Dentro da cidade. Como um oásis. Criado oficialmente em 1919, o prédio principal data de 1695 e é o segundo mais antigo da região (o primeiro é a Saint James Church, 1541).

Durante séculos a propriedade pertenceu a diversas famílias de Manchester. Em 1912, um filantropo chamado Alderman Fletcher Moss adquiriu a área onde morou até sua morte em 1919, quando o parque passou a ser controlado pelo município. Em 2006, um grupo de voluntários fundou a Associação dos Amigos do Fletcher Moss (que administra o local), considerado hoje uma das principais atrações ao ar livre da cidade.

Além do jardim botânico, o espaço é rodeado por trilhas, árvores (em especial cedro do Líbano) e pelo rio Mersey. Há também uma área formada por rocha dos alpes e a grande atração do jardim inglês: a gunnera manicata (conhecida como folha-de-mamute ou comida de dinossauro), planta exótica com folhas gigantes original do Brasil. Verde mundo. Que tal?

Fletcher Moss Botanic Park
Didsbury, Manchester (M20 2RQ)
Entrada franca
Como diz na entrada do parque: from dawn to dusk (do amanhecer ao anoitecer!)

General Election

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                                        10 Downing Street, Londres: sede oficial do PM (pixabay.com)

O povo britânico escolhe hoje seus novos representantes no Parlamento. As eleições gerais no Reino Unido ocorrrem em meio a uma tumultuada campanha pelo cargo de Prime Minister (PM) e Members of Parliament (MP). As urnas ficam abertas das 07h às 22h. O resultado será divulgado ainda no final da noite ou na sexta-feira pela manhã.

O anúncio das eleições foi feito às pressas em 18 de abril, após a primeira ministra Theresa May ter afirmado que não haveria novo pleito este ano. Segundo analistas políticos, a manobra do governo visa assegurar espaço e força dos Conservadores (partido de May) no Parlamento, garantindo mais austeridade na pauta Brexit e imigração.

O cenário é tenso. Atentados terroristas – fortemente explorado nas campanhas, Brexit, aumento na contribuição, preços subindo, cortes na área da educação, segurança e saúde e redução de benefícios são alguns dos temas a serem enfretados. Desafio para o governo. Desafio para o povo.

Abaixo os principais partidos e seus candidatos:
Conservatives (Tories)/Conservadores: Theresa May
Centro-direita
Labour/Partido Trabalhista: Jeremy Corbyn
Esquerda
Liberal Democrats (Lib Dem)/Liberal Democrata: Tim Farron
Centro-esquerda
UK IP (UK Independence Party)/Partido da Independência: Paul Nuttall
Direita
Green/Partido Verde: Caroline Lucas e Jonathan Bartley
Esquerda
Scottish National Party/Partido Nacional Escocês: Nicola Sturgeon
Centro-esquerda

*Somente cidadãos britânicos têm direto ao voto. Além da escolha do novo PM serão definidos os líderes locais de cada região. E uma curiosidade: aqui, não há urna eletrônica como no Brasil. O voto é em cédula, no papel mesmo. Vejam só.

 

Dia instável

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                                                                                                                           (pixabay.com)

Ontem à noite (22h, hora local) um ataque terrorista em Londres deixa a população e o país novamente em alerta. Foram 2 atentados em menos de 2 semanas. Num momento em que aos poucos se reconstruia a calma e o sorriso no rosto das pessoas que direta ou indiretamente foram afetadas. Isso mexe com o clima. De novo. Domingo com sol e chuva, frio e calor. Dia instável. Dia de procurar abrigo e se sentir seguro.

Londres
– 7 pessoas morreram e outras 48 ficaram feridas em três ataques simultâneos na área central de Londres;
– Os três suspeitos foram mortos pela polícia;
– Um motoristas acelerou uma van em direção aos pedestres na Ponte de Londres e ataques com facas feriram pessoas no Borough Market;
– A Primeira Ministra Theresa May pronunciou: “It is time to say enough is enough” (hora de dizer já chega);
– A campanha pelas eleições gerais no próximo dia 08 de junho foram suspensas hoje. O governo reitera que o terrorismo e a violência não podem parar o processo democrático.

Manchester
– Identificado o autor do ataque terrorista de 22 de maio: Salman Abedi, 22 anos. Nascido em Londres, filho de refugiados da Líbia;
– 8 suspeitos seguem em prisão temporária;
– Cerca de 120 pessoas ficaram feridas;
– A primeira-ministra Theresa May, a Rainha Elizabeth II e o Principe William ficaram alguns dias na cidade visitando hospitais e familiares das vítimas;
– Cerca de £2 milhões foram arrecadados para ajudar as vitimas do atentado;
– Centenas de pessoas seguem procurando postos para doação de sangue;
– Diversas ações de solidariedade se espalharam pela cidade, formando uma rede de ajuda para todos os envolvidos;
– Cidade em alerta de segurança máximo (novos ataques podem ocorrer a qualquer momento);

Logo mais à noite, âs 19h30 (hora local), a cantora Ariana Grande e convidados realizam o show beneficiente One Love Manchester no Old Trafford Stadium (do time Manchester United). O dinheiro será doado para as vítimas do atentado. A polícia prepara forte esquema de segurança e revista no local. Cidade apreensiva. Dia instável.

Para quem quiser acompanhar real time os desdobramentos dos atentados, aqui os sites de notícias que sigo:
The Guardian
Manchester Evening News
BBC Manchester
BBC News
Independent

Breaking news: ataque terrorista em Manchester

Ontem às 21h35 (hora GMT Londres) um ataque suicida com bomba de fabricação caseira matou 22 pessoas (entre adolescentes e crianças) e deixou mais de 59 feridos. No Manchester Arena. Em Manchester. Na cidade onde moro.

Segue um resumo do que se sabe até o momento e como está o clima por aqui:
– Há poucos minutos o EI (estado Islâmico) reivindicou a autoria do ataque;
– Um homem de 23 anos foi preso; A polícia não divulga a identidade;
– Os feridos foram encaminhados para os 7 hospitais da região;
– Telefones de emergência e redes sociais ajudam a localizar pessoas ainda desaparecidas;
– Cidade em alerta; Polícia pedindo que população evite centro da cidade e aglomerações;
– Moradores próximos à area da explosão ajudaram pessoas que saíam do show com água, lugar para passar a noite e carregar celulares;
– A Victoria Station, principal estação de trem e Metrolink, está fechada;
– Engarrafamentos em todos os grandes acessos da cidade;
Rádios, TVs e redes sociais atualizando as notícias a todo instante;
– Helicópteros seguem sobrevoando a cidade;

Eu e minha família estamos bem. Tentando manter a normalidade. Esse tipo de ameaça pra nós, acostumados a viver sitiados pela violência banalizada no Brasil, ainda era algo relativamente distante e complexa de entender. Agora é fato. Real e perto da gente.

E no meio do caos, reconfortante receber mensagens e ligações de amigos e familiares aqui da Europa, Canadá e do Brasil perguntando como estávamos. De uma certa forma, me senti bem. Dentro do que se pode estar em situações onde o medo e desconfiança de repente estampam nosso dia, tingindo de cinza e sangue um raro dia de sol em Manchester.

NHS: o SUS (é) daqui

Na última sexta-feira dia 12 um ciberataque de grandes proporções afetou entidades em mais de 100 países. Aqui no Reino Unido a instituição mais comprometida foi o NHS. Milhões de serviços e pessoas foram afetados. Neste post escrevo sobre o sistema de saúde britânico.

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Manifestações pró NHS (John Gomez/shutterstock)

O National Health Service surgiu durante o pós-guerra. Na época, a iniciativa do governo finalmente reconhecia a assistência médica como um dos cinco grandes problemas a serem enfrentados em um continente em reconstrução (além da carência, ignorância, miséria e preguiça). O lançamento aconteceu em julho de 1948 no Park Hospital, em Manchester.

Desde sua fundação, muita controvérsia. Originalmente, o NHS deveria ser totalmente gratuito e assim foi durante muitos anos. Mas aos poucos novas taxas foram fixadas e novos limites de tratamento. Por outro lado houve grande investimento em pesquisa científica e mudanças na forma de atendimento aos pacientes. Para se ter uma ideia, até 1954 crianças internadas em hospitais só recebiam visita dos pais por uma hora aos sábados… E o resto é história.

Aqui alguns detalhes (experiências) que ilustram o funcionamento do NHS:
– Para ter acesso, as pessoas devem se registrar no posto de saúde mais próximo de sua casa;
– Primeiro passo: agendar consulta com o GP (general practice), ou clínico geral;
– Normalmemte a marcação de consulta ocorre no mesmo dia ou em no máximo 2;
– Não há agendamento direto com especialista sem consulta prévia com o GP;
– O valor fixo dos remédio com receita médica é £8,60;
– A maioria dos medicamentos de uso contínuo é gratuita;
– Todos os medicamentos para crianças (0 a 16 anos) e pessoas a partir de 60 anos são gratuitos;
– As instalações, consultórios e equipamentos são de boa qualidade;
– Para quem está em viagem em países da Europa, o NHS oferece cobertura gratuita para diversos tipos de atentimento médico;
– Dentista: planos de atendimento dentário também são oferecidos pelo NHS mas neste caso, apenas subsidiados pelo governo. Os preços seguem uma tabela entre £20,60, £56,30 e £244,30, conforme a complexidade do tratamento. Crianças e estudantes são isentos;

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Sala de espera da clínica dermatológica onde estive semana passada – lwg

O grande mal do NHS hoje é que está gigantesco, obeso. Com alto custo. E por conta disso vem enfrentando uma série de dificuldades e cortes de orçamento. Não raro vemos manifestações ou lemos artigos alertando para o atual desmantelamento do NHS, falta de leitos em hospitais e greve dos profissionais da área de saúde. Sem falar que cerca de 11% do quadro médico do NHS é formado por cidadãos europeus que, com o Brexit, teriam que deixar seus postos. Crise de saúde como em qualquer lugar. Que tal?

 * Somente tenho acesso ao NHS pois meu visto de residência está ligado à cidadania europeia. Como brasileira, não teria direito.
* O SUS (Sistema Único de Saúde) adotado no Brasil em 1988 foi inspirado no NHS do UK. Era para funcionar.