Desorientação e paz

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Imperial War Museum North, Manchester – lwg

O Imperial War Museum North é mais um espaço imperdível em Manchester. Criado em março de 1917, ainda durante a 1º Guerra Mundial, mantém um importante acervo sobre guerras, Holocausto, Winston Churchill, Battle of Britain, Dia D, e outros temas. História, memória e modernidade. Novamente, olhar o passado para construir o futuro.

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O prédio atual foi construído em 2002 pelo renomado arquiteto polonês Daniel Libeskind (Jewish Museum Berlim e Ground Zero NY). O conceito original era transmitir ao público a ideia do mundo divido pelas guerras (ar, terra e água), e que nunca mais será o mesmo. A desorientação dos visitantes no museu é proposital. Guerras desconsertam. Entendê-las nos pacificam.

Além das mostras permanentes está em cartaz a retrospectiva do artista inglês Wyndham Lewis: Life, art, War. Ele é considerado um dos precursores do vorticismo – estética que agrega ação e movimento à pintura, escultura e literatura.

Durante minha visita ficou clara a referência ao papel do povo e o aspecto humano durante os conflitos. Experiências e relatos pessoais sempre tornam a história, memória viva. Que tal?

Imperial War Museum North
The Quays, M17 1TZ
Entrada franca

*Castelo de cartas, parte 2: além do ex-secretário Fallow (envolvido em denúncias de assédio sexual), agora a ministra inglesa de Cooperação Internacional, Priti Patel, pede demissão do cargo. Why? Realizou reuniões não oficiais com líderes políticos em Israel durante seu período de férias (o que é considerado uma falta grave no código de conduta ministerial). O que move homens e mulheres são motivos bem diferentes, não?

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Breaking news VI: castelo de cartas

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Sir Michael Fallon (themirror)

O Secretário de Defesa britânico, Sir Michael Fallon, renunciou ontem após denúncias de assédio sexual. Ele é acusado de tocar várias vezes o joelho de uma jornalista durante jantar oficial em 2002. Em sua carta de demissão, Sir Fallon alegou ter tido um comportamento abaixo do padrão exigido para chefiar as Forças Armadas do Reino Unido. O pedido formal foi entregue à Primeira Ministra, Theresa May.

Na onda das recentes (e muitas) denúncias de assédio e abuso sexuais por parte de poderosos personagens mundo afora. a saída do secretário se torna evidentemente um bom exemplo, como pronunciou a Ministra em seu discurso.

Tomara a moda de denunciar pegue! Tabus sendo quebrados, medos individuais ganhando apoio coletivo. Fallon, Mayer, Trump, Weinstein, Spacey, Mané da Silva… as nacionalidades e os cargos são diversos, mas o comportamento machista e intimidador, o mesmo. Sempre. Em qualquer lugar. E não só no jet-set, mas nos ônibus, nas ruas, nas casas, nas igrejas, nas escolas.

Educação. Mais uma vez. Ensinar meninos e meninas que a palavra não, significa… NÃO. E ponto. Valorização e respeito ao corpo, aos limites. Talvez faça a diferença na vida adulta das novas gerações. De famosos ou anônimos. Que tal?

*News Impact Summit Manchester: evento para jornalistas que participei ontem discutiu novas tecnologias para definição de público e divulgação, cobertura dos atentados terroristas e, principalmente, ressaltou como o jornalismo comunitário será o futuro da notícia. Destacou também o relevante papel dos bloggers na produção e disseminação de conteúdo qualificado. Bacana. Numa profissão cada vez mais high-tech, uma retomada de velhos conceitos, repaginados.

 

*O horário de verão (BST) terminou no último domingo. E já na virada, segunda-feira amanheceu com gelo pelas ruas e 1ºC. A coisa é rápida por aqui!

“Atravessamos o deserto do Saara…”

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Vista da janela da minha casa ontem – lwg

o sol estava quente” e deixou Manchester toda em tom sépia. Amarela, avermelhada. Cor de abóbora! O fenômeno ontem durou cerca de 8 horas e deixou o povo intrigado. Mas, para tudo, sempre há uma explicação! Científica, é claro.

Esclarecimentos sobre o que ocorreu ontem aqui na Ilha, que parecia da magia! Mesmo!

– Furacão Ophelia ao se deslocar para o Reino Unido trouxe poeira da Espanha e Portugal
– A poeira continha fuligem das recentes queimadas na península Ibérica e areia
– Areia que veio do deserto do Saara na África, também engolfada pelas rajadas do furacão
– Essa combinação de partículas + a massa úmida (e eterna!) da Inglaterra criou essa parta sépia, um papel machê no céu
– A ventania trouxe também uma massa de ar quente que elevou os ponteiros. Máxima de 20º na cidade
– Carros pela rua cobertos de poeira

Outono com 20º na Inglaterra realmente é um fenômeno! Pra mim, tá valendo! Também curti o clima de Halloween pelas ruas ontem e sentir um vento a mais nos cabelos! De uma certa forma, me lembra os ventos de verão no Brasil. Lufadas assim do nada. Que tal?

* Consultoria científica: Luiz Carlos Gomes, professor de Astronomia e Márcia Braga, professora de Física do CMPA(Porto Alegre).

 

Sabor da Índia

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(pixabay.com)

Mais uma dessas coisas que só os ingleses inventam: de 09 a 15 de outubro acontece a National Curry Week. Feirinhas, degustação e promoções agitam os apreciadores deste famoso tempero originado na Índia no século XVI. É arroz de festa por aqui!

E não é pra menos. Desde que vim morar na Inglaterra já visitei diversos restaurantes onde o menu é essencialmente, curry. E o tempero pode conter uma combinação de até 70 plantas e ingredientes.

 

Já comprei meu kit e farei um Chicken Korma, que nada mais é que cubinhos de frango com o tal molho aromático feito com leite de côco e especiarias, à base de curry, of course! Esse comprei pronto. Um dia me aventuro a fazer em casa! Sirva com arroz basmati, naan bread (o pãozinho tipo árabe para acompanhar) e salada verde. Então, capriche na harmonização e fique de olho na pimenta! Que tal?

Curiosidades
– O termo curry deriva de caril em Tâmil, dialeto do sul da Índia, e significa molho
– Cerca de dois terços das refeições produzidas aqui no UK são indianas
– Existem mais de 9 mil restaurantes indianos por aqui, empregando mais de 70 mil pessoas
– Reino Unido, Japão e Portugal são os principais consumidores de curry no mundo

E o verão levou…

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                                                                                                                                                          Formby – lwg

As águas de setembro já diminuíram (já que nunca param mesmo!), o Indian Summer nem soprou este ano (massa de ar quente que chega da Índia no final de agosto) e o outono já está nas ruas, no frio e nas folhas pelo chão. Amanhã começa oficialmente a nova estação no hemisfério norte… Mas, para mim, começou terça-feira passada, quando às 09h da manhã, caminhava na rua com 8ºC. E o verão na Inglaterra levou minha cor veranico de inverno brasileiro!

Mas pra terminar a alta temporada com estilo, aqui um pouquinho sobre duas praias (sim, praias!) que visitamos recentemente. Uma bem diferente da outra. Adivinhem qual gostei mais?

Formby
Localizada na costa oeste do país, fica bem pertinho de Liverpool. A área toda é uma reserva natural onde habita a rara espécie de esquilo vermelho e durante o ano há trilhas e passeios guiados. A praia é bem rústica com uma longa trilha de acesso. São quase 2km de caminhada pelas dunas de areia, mais 1km até a beirinha da água. O banheiro (químico – casinha de PVC) fica ao lado do estacionamento, na entrada do parque. Pense bem… Não há restaurantes, bares, aglomerações. Perfeito para um picnic de verão. A água do mar é… gélida.

Blackpool
A cerca de uma hora de Manchester, Blackpool é um balneário super popular. Quer aglomeração, agitos, famílias e máquinas de brinquedo caça-níqueis? Blackpool é a pedida. Pela beira-mar, quiosques de cachorro-quente e hamburguer, muito fish & chips, turistas ingleses queimados de sol, roda-gigante, lixo pelo chão, muvuca, lojas, compras, compras, lojas. Hoteis lotados. Perfeito para quem busca agito. A água do mar é… gélida.

 

Bem, eu amo praia. Seja onde for. Afinal, como disse Ângela, é o que a casa (o reino!) oferece. Tendo areia e água tá valendo. O sol, bem, sol é um detalhe que o verão levou… Um dia me acostumo. Que tal?

* Sim, Formby faz mais meu estilo.

Num piscar de olhos

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                                                                                                                             (pixabay.com)

Ontem à noite observando o temporal com raios e trovões pela janela (raro por aqui), percebi que agosto e minhas férias já eram. Assim, num piscar de olhos.

Há um mês voltei da viagem ao Brasil. E de repente, tudo já na engrenagem da vida, do trem da vida… cada peça no seu lugar, certo? Ou não. Não sei bem pra onde ir, acho que ainda estou em ritmo de férias… demorando (de novo!) a me acostumar com o calendário daqui, as estações do ano (8 meses de frio pela frente) e a dirigir carro pela esquerda, claro. Mas são nossa escolhas. Que como num piscar de olhos, mudam nosso roteiro e depois convidam a rir ou chorar*. Que tal?

Num piscar de olhos…
semana passada meu filho retornou à escola… na primeira série (!?)
… minha carteirinha de sócia da biblioteca expirou – vale por 3 anos
… águas de setembro fechando o verão
… reabertura do Manchester Arena (fechado após atentado terrorista em maio deste ano)
… aranhas procurando lugar dentro de casa
… folhas das árvores mudando de cor e já caindo
… temperatura também caindo
… dias cada vez mais curtos
… horário de verão termina em outubro
… desbotei a cor inverno/tom verão Brasil
… decoração de Halloween dando lugar aos artigos de Natal nas lojas

* Trecho da canção Aquarela de Toquinho e Vinícius de Moraes