Estado bruto

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                                                              Dunas da Joaquina, SC, Brasil (foto: Mário Salgado)

Jack Soul Brasileiro
E que o som do pandeiro
É certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue
E o país do swing
É o país da contradição

Estou de volta em Manchester após umas semanas de férias no Brasil. Sim, mais um half term, spring break ou whatever sejam os nomes das folgas que tenho aqui na Inglaterra. E não são poucas! Então, sempre que posso, aproveito para fazer uma das coisas que mais gosto nessa vida: viajar.

Em Terra Brasilis aterrisei em meio à crise: do combustível, dos caminhoneiros, das gentes. Como se fosse só. Como se crise fosse novidade. Um ringue (o país do swing). Até aqui, nada de novo. A novidade para mim é ficar em choque com os preços, abusos, desrespeito. Ainda sofro. Fecho um olho, finjo não ser comigo. Estado bruto. Como se fosse possível apagar as cicatrizes e glórias de ser brasileira, pelo simples fato de estar de visita. I can’t. And I never will.

Mas, vamos as coisas boas…
– passeio pela Costa da Lagoa
– passeio pelas dunas da Joaquina, Ingleses
– encontrar amigos queridos
– churrasco em família
– resolver burocracias, pendências
– banho de sol e correr na praia
– cabeleireiro, manicure e pedicure
– me perder de ver o mar
– dirigir na mão direita
– frutas, muitas frutas
– camarão, sempre
– suco natural

Por enquanto, em cada retorno, a doce sensação de pertencimento. País tropical abençoado pela contradição e belíssimo por natureza. Não sei quando será minha próxima viagem/visita ao Brasil. Hoje me dei conta que em quase 4 anos vivendo no Reino Unido, já estive 4 vezes por lá. É mais do que imaginava. Talvez menos do que gostaria. Um luxo. E como tal, aos poucos se torna mais distante, mais caro, mais inatingível. Como um sonho. Como um Brasil sem crise… diamante raro e único, ainda em estado bruto. Que tal?

 

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Onde tenha sol, é pra lá que eu vou!

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Miami Beach fica em… Miami, Flórida. E a Flórida fica nos EUA. Não que eu seja lá muito fã do American Way of Life… me identifico mais com a politeness da Inglaterra. Mas, onde tenha sol, é pra lá que eu vou! E como ando muito precisada de vitamina D, bora lá! Prepare o bronzeador, havaianas, desenferruje o portunhol e entre no clima meio Rio, meio Havana, de uma das praias mais populares do mundo.

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Lincoln Road: caminhadas, patins e bikes. Da manhã à noite, o calçadão reúne os descolados e bronzeados da hora
– Restaurante
Forrest Gump: como um set de filmagem, vire turista mesmo (clichê sem culpa!) e tire uma foto no banco onde o famoso personagem contava suas histórias
Sawgrass Mills: pra quem tem coragem de trocar as águas cristalinas do mar por um shopping com ar-condicionado, esse centro de compras é um mundo
Museum of Art and Design, Jewish Museum of Florida, Memorial do Holocausto
– Ah, e claro, lindas praias de água transparente e morninha

Impossível listar todas as atrações – muitas e para todas as vibes. E não importa qual a sua praia. Vale é desfrutar cada momento como se fosse… dar praia! E sol pra mim, é artigo de luxo. Como loja da Havaianas em Londres e pé na areia branquinha. Que tal?

*Dentro de algumas horas piso mais uma vez no Aeroporto Internacional de Miami… que fica na Flórida. Que tem bastante sol! E uns 20ºC a mais que Manchester!

Liverpool além dos Beatles

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                                                                                      Liverpool, Albert Dock – lwg

Liverpool se localiza no noroeste da Inglaterra, condado de Lancashire e possui cerca de 480 mil habitantes. Foi fundada em 1207 e atualmente é uma cidade em franco desenvolvimento e uma das mais populares do Reino.

E sim, porto onde nasceram os 4 garotos aqueles, que formaram os Beatles. Mas, confesso, como nunca fui muito fã dos caras (sorry JRF!) sempre que visito a cidade, fujo um pouco do roteiro rock and roll/beatlemaníaco/turístico/Yellow Submarine e tento conhecer uma outra Liverpool. Mas, Let it be! Para quem curte… está tudo lá. Museus, esculturas, murais, músicos tocando hits pelas ruas, souvenirs, souvenirs, souvenirs, o Cavern Club, a Penny Lane, etc. E assim, o clima é inegavelmente contagiante. (O site Viajei Bonito apresenta um roteiro para quem quiser reviver a história da banda in-loco).

E para além dos Beatles, deixe-se perder pelas ruazinhas estreitas, centros culturais e a parte mais antiga e menos prestigiada da cidade, cheia de encantos. Pode ser uma semana, um final de semana ou um Day Trip(per). Vale a visita. From me, to you. Que tal?

Lugares bacanas para quem quer conhecer a Liverpool além dos Beatles:
World Museum: espaço com múltiplas representações. O planetário oferece sessões regulares para todas as faixas etárias
Central Public Library: a biblioteca pública apresenta um grande acervo de livros e mídias, além de espaços interativos, agenda de eventos culturais e um variado café
Merseyside Maritime Museum: o museu abriga uma importante coleção de documentos, objetos e reproduções dos grandes navios e embarcações da história do porto de Liverpool
International Slavery Museum: Localizado no terceiro andar do Merseyside Museum, o local reúne depoimentos, fotos e documentos que apresentam, de forma crítica, os séculos de maus tratos, comércio e exploração dos escravos no Reino Unido e Europa
Piermaster’s House: o local era uma das casas localizada na região das docas e a única que resistiu aos bombardeios na WWII. O interior e seus objetos oferecem uma visão bem realista das residências na época
*Zé, Dani e cia: acabamos de voltar de lá e temos um mapa da cidade pra vocês!

Berlim: silêncio e som

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Berlim, Branderburg Gate – lwg

Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim (…)
(Certas Coisas/Lulu Santos)

Como um artesão sábio e habilidoso que lapida matéria bruta e transforma pedaços de história em forma, conteúdo e beleza. Assim vejo Berlim. Assim entendo a cidade forjada à ferro e fogo e que se reconstrói pedra sobre pedra, melodias de silêncio e som.

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Silêncio dos museus, monumentos, cicatrizes de guerra e memória jogadas na cara. Som de turistas, vida noturna, música. Vibração que está nas ruas, no povo, nos jovens, na economia e na coragem.

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E nessa dualidade, a capital da Alemanha se veste de luz e modernidade para mostrar do que é feita e para onde vai. E a mensagem é clara: ao encarar o passado e antecipar o presente, se estabelece lá no futuro como uma das principais referências em arte, contracultura e vanguarda na Europa de hoje.

 

Há um ano exatamente revisitei essa cidade. E mais uma vez Berlim me enche de silêncio e som. Como na canção acima. Como tudo que cala, fala mais alto ao coração. Que tal?

*Berlim… em cada visita novos encantos, lugares, pessoas, amigos. Inesquecíveis olhares.

 

Summary
Berlin: silence and sound
As a wise and skillful craftsman who engrave raw material and turns pieces of history into form, content, and beauty. That’s how I see Berlin. That’s how I understand the city built for iron and fire. That rebuilds stone upon stone, melody of silence and sound.
Silence of the museums, monuments, scars of war and memory thrown in the face. Sound of tourists, nightlife, music. Vibration that is in the streets, in the people, in the young, in the economy and in the courage.
And in this duality, the capital of Germany dresses up in light and modernity to show what is made of and where it goes. And the message is clear: in facing the past and anticipating the present, it establishes itself in the future, as one of the main references in art, counterculture and avant-garde in today’s Europe
One year ago I revisited this city. And once again Berlin fills me with silence and sound. As in the song above. Que tal? What you think?

*Berlin… in every visit new charms, places, people, friends. Unforgettable looks.

Marple Bridge

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                                                                                                           Marple Bridge – lwg

A serra gaúcha é considerada um dos principais roteiros turísticos do Brasil. O cenário de vales, montanhas e a arquitetura com toque europeu atraem milhares de turistas todos os anos, especialmente no inverno. Pois foi pra lá que me “transportei” quando visitei Marple Bridge, cidade localizada a menos de 20km (12mi) de Manchester. Me lembrou Nova Petrópolis, Gramado e Canela.

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O vilarejo fica na região metropolitana de Stockport. É cercado por colinas (formação incomum numa área essencialmente plana) e pelo rio Goyt – que originalmente ligava o comércio local entre Derbyshire e Cheshire. A charmosa ponte de pedra no centrinho da vila foi contruída no século XVII.

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Atualmente, cafés, trilhas, reservas e parques tornam a região um movimentado pit-stop de esportistas, caminhantes, turistas ou apenas residentes locais que circulam por ali. Uma boa dica é a caminhada entre o Peak Forest Canal até a cidade (cerca de 4mi e 2h30).

Lembranças da serra gaúcha à parte, Marple Bridge não deixa nada a desejar no quesito natureza, charme e, claro, as coisas bacanas do inverno. Uma boa caminhada, um chocolate (ou café!) quente, ou um simples passeio. Conectando o sul do Brasil ao leste de Manchester. Que tal?

Summary
Marple Bridge
The mountain range in the south of Brazil is considered one of the main turistic hotspots of the country. Valleys, hills and the European scenario attracts millions of visitors every year, especially in the winter. Marple Bridge reminds me of Nova Petrópolis, Gramado and Canela.
This village is located in Greater Stockport. It is sorrounded by hills (a rare formation in a particularly flat area) and by the Goyt river. The charming bridge in the centre of the village was built in the 17th century.
Nowadays, cafés, trails, natural reserves and parks make the region a bustling pit-stop for sportsmen, hikers, tourists or just local residents who roam the valley.
Memories of the mountain range in the south of Brazil aside, Marple Bridge leaves nothing to be desired in terms of nature, charm and of course the cool things of winter. Connecting the south of Brazil and the east of Manchester. Que tal? What you think?
*Previsão de neve amanhã. E eu sonhando com praia…

Adoro Lisboa!

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                                                                                Praia do Guincho, Caiscais – lwg

(…)
Lisboa tem a tradição
Dos bairros antigos
Vinho e sardinhas no verão
à beira do rio
Lisboa tem os rés-do-chão
E as altas mansardas
E há que descer e subir
Por estreitas escadas
Adoro Lisboa,
Eu quero-lhe bem,
Gosto de ver as gaivotas nos céus de Belém.
Adoro Lisboa,
E as histórias que tem
E sei que há muita gente
Que adora também
(Adoro Lisboa, Madredeus)

Da janela do avião meus olhos percorrem o Tejo. Do alto, uma imensidão poética, histórica e prazenteira parece dizer: bem-vinda a Portugal. E isso foi lá no ano 2000. Desde então, novas visitas, novas cores e uma terna paixão à primeira vista.

Sim, Portugal pra mim tem sabor e cheiro de Brasil à moda antiga. Brasil colonial, Brasil arcaico. Me reconheço no casario, nas fachadas e na fala chiada da gente carioca e do povo açoriano de Florianópolis. Me sinto em casa como em Porto Alegre, antiga Porto dos Casais… ou me espelho em Portalegre, no coração do Alentejo. Vila, freguesia, castelos.

Tem sol, mar, praia e minha língua pátria como guia. Mesmo quando perdida – em mundanas traduções, no meio do burburinho, me encontro junto aos turistas, portugas, brazucas e burcas.

É fado triste e saudoso, hoje cantado novo e fresquinho como pão quentinho nas padarias. É poesia e prosa sestrosa de quintal. De comunidade, de carpideiras. Como antigamente. Como um país que desafia o tempo, velas ao vento. Nau dos descobridores. Que tal?

Summary
I love Lisbon!
Yes, Portugal has the taste and scent of old-fashioned Brazil for me. Colonial Brazil, archaic Brazil. I recognize myself in the houses, in the facades and in the sounds of the Carioca people and the Azorean people of Florianópolis. I feel at home in Porto Alegre, Porto dos Casais… or mirror myself in Portalegre, in the heart of Alentejo. Villages, parishes, castles. It has the sun, the sea, beaches and my mother tongue as a guide. Even when lost in worldly translations, in the midst of the hubbub, I meet tourists, Portuguese, Brazilians and burcas. It is a sad and longing fado, today sung new and fresh like warm bread in bakeries. Community, mourners. Like before. Like a country that defies time, sails in the wind. Ships of the discoverers. Que tal? What you think?
*Voltando à Terrinha! Até daqui a pouco, Justine, Fernando e miúdos!

Bis zum nächsten, Nürnberg!*

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                                                                               Nuremberg, vista do castelo – lwg

Nuremberg se localiza no norte da Alemanha, região da Baviera. Importante pólo econômico e cultural do pais, foi uma das cidades mais destruídas na WW2 e palco dos julgamentos dos criminosos de guerra. Em 1993 foi inaugurado o Caminho dos Direitos Humanos (construído pelo artista israelenese Dani Karavan) na cidade. A instalação dessa obra é considerada uma clara oposição de Nuremberg ao totalitarismo.

Richtig (certo)! Feitas as apresentações quero dizer que, para mim, estar na Alemanha é como estar em casa. Não somente pela herança germânica de quem nasceu no Sul do Brasil (cultura em que fui criada), mas pela memória afetiva das turnês com o Expresso 25. Nesse país visitei cerca de 20 cidades, conheci pessoas e lugares maravilhosos, vivi histórias inesquecíveis e, ao conviver de perto com as famílias que nos hospedaram, aprendi a respeitar e admirar um povo de olhar profundo e discreto, que encara o futuro sem esquecer o passado.

A visita a Nuremberg no último final de semana foi muito bacana. Conhecemos o castelo (Nürnberger Burg, séc. XI), o mercado (Hauptmarkt), o Museu do Brinquedo (Spielzeugmuseum), caminhamos pelo centro histórico, comemos bratwurst e, claro, um BOM döner kebab já que ninguém é de ferro (ok, é um prato turco, mas conheci em Tübingen em 2006, lembra, Émerson?)! E fiquei com saudade dos passeios e amigos da última visita a Berlim. Mas isso são outrosquetais!

Dessa vez, não havia champagne e pretzel quentinho nos esperando no gabinete do prefeito, como nas viagens com o Expresso! Hoje viajo anônima, com meus meninos. Busco novos caminhos, novas memórias, novos sabores. E assim, me sinto em casa. Que tal?

*Até a próxima, Nuremberg!

Summary
After a short stay in Nuremberg last weekend I realised that being in Germany is like being home. Not only because I grew up in a German-style culture and family but also because it reminds me of when I travelled to Germany with Expresso 25 long ago. Everything is familiar. But now, at the same time, it gives me the opportunity to seek new paths, new memories, new flavours. Que tal? (What you think?)